O presidente da Câmara Rodrigo #maia (DEM-RJ) marcou a sessão para votação da cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para o dia 12 de setembro, uma segunda feira. Além de atender um desejo do governo interino, que queria que essa votação ocorresse apenas depois do julgamento do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, a data é possivelmente um trunfo na manga de #cunha e seus aliados, já que a movimentação de deputados na Câmara durante as segundas costuma ser baixa (um exemplo disso foi o cancelamento da sessão extraordinária de 11/07, que pretendia votar o Projeto de Lei Complementar 268/16, por falta de quórum).

Considerando que são necessários no mínimo 257 votos favoráveis à cassação de Eduardo Cunha, este pode ser um fator crucial a favor do deputado.

Publicidade
Publicidade

Maia justificou a escolha da data como um recurso para que a votação ocorra antes do início das campanhas eleitorais municipais, no dia 15 de setembro. De qualquer forma, a decisão agrada os aliados de Cunha, que fazem parte da ala governista, da qual Maia também faz parte. Deputados da oposição, como Chico Alencar e Alessandro Molon, apontam que um dos principais motivos para a ala governista ter desejado a votação apenas para setembro seria o temor de que Cunha, caso fosse cassado, fizesse revelações que atrapalhassem a aprovação do impeachment e assim a efetivação do governo interino.

O poder de Cunha

Apesar das fortes acusações de corrupção e da descoberta de contas secretas na Suíça, Eduardo Cunha aparenta exercer muita influência no cenário político, mesmo afastado. Um dos indícios disso (e que corrobora com a acusação da oposição) foi o encontro que o deputado teve com o presidente interino Michel #Temer em sua residência oficial, o Palácio do Jaburu, no fim de junho.

Publicidade

Cunha também conta com diversos aliados assumidos na Câmara, dentre os quais o deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF), que foi relator do seu processo na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Mesmo deputados que não se reconhecem publicamente como seus aliados o toleram, como é o caso do deputado conservador Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que chegou a parabenizá-lo em rede nacional durante sessão de votação do impeachment e que estranhamente não se pronunciou sobre as acusações contra Cunha no Conselho de Ética (ao contrário do que ele faz com deputados da oposição em situações semelhantes) e sua posterior renúncia à presidência da Câmara.