Nessa semana, o TSE tornou público o gasto de cada candidato com a sua campanha política. Em Barueri, município nobre da grande São Paulo, o candidato a prefeito, Rubens Furlan, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral que tirou R$1 milhão do próprio bolso para financiar sua campanha.

Seus adversários, entretanto, estranharam a decisão do tucano. O valor doado equivale a 16% do patrimônio declarado pelo político e significa, nas palavras de Néo, um de seus adversários, o mesmo que pagar para trabalhar em quatro anos, uma vez que a renda como prefeito não chegará a R$1 milhão ao término do mandato.

Néo Marques, candidato a prefeito pelo PMN, disse ao jornal Barueri na Rede, que essa é a eleição do Caixa 2 e que muitos candidatos têm extrapolado o valor máximo de campanha determinado pela Justiça eleitoral.

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Para ele, pela campanha massiva de Furlan nas ruas, o teto da campanha, de R$3,4 milhões, pode já ter sido ultrapassado.

Saulo Goes, vereador no município e candidato a prefeito pelo PSOL, também estranhou o valor investido por Rubens Furlan e afirmou ao Barueri na Rede, que apesar das limitações da nova lei e das fiscalizações, ainda existem candidatos gastando fortunas na campanha política.

Já outro adversário, Cláudio Paes, da REDE, deixa um questionamento no ar: “Furlan está se desfazendo de 16% do patrimônio declarado a que preço?”. O salário de prefeito e do vice em Barueri gira em torno de R$27 mil. Multiplicando esse valor por 48, tempo de duração de um mandato completo, o valor bruto aproximado é de R$1,2 milhão, entretanto, o valor líquido do salário de um prefeito em quatro anos é de menos de R$ 952 mil.

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Os adversários acharam a declaração de Furlan estranha e acreditam que o caso merece ser estudado pelo Ministério Público e pela Justiça Eleitoral, além de considerarem o valor um sinal de desequilíbrio político. Na quinta-feira, 8, Furlan declarou para o jornal, Estado de S. Paulo, que ele e seu vice decidiram bancar a própria campanha devido à crise econômica que impossibilitaria a campanha de receber muitas doações da população. O tucano também afirma que tem controlado os gastos e que os mesmos não vão extrapolar até o fim da campanha.

O candidato busca seu quinto mandato no município. Sua candidatura quase não aconteceu porque foi condenado a inelegibilidade em 2015. Há dois meses, ele conseguiu a rejeição da decisão pela Justiça.

O tucano ainda responde outro processo que pode, no caso de ser eleito, impactar seu mandato. O processo mais recente e que encontra-se aguardando julgamento de recurso impetrado pelo candidato, é o de suposto desvio de mais de R$ 70 milhões dos cofres públicos entre 2003 e 2007, época em que Furlan exercia seu terceiro mandato como prefeito da cidade. #Campanha Eleitoral #Eleições #Eleições 2016