A Bancada da Bíblica foi reconhecidamente uma das bancadas com maior representatividade na Câmara dos Deputados enquanto Eduardo Cunha (PMDB-RJ) esteve na presidência da Casa Legislativa. Religioso fervoroso, e integrante da Frente Parlamentar Evangélica, o peemedebista usou do prestígio de seu antigo cargo para pautar propostas conservadoras e arquivar discussões que fossem de encontro como os princípios da "família tradicional brasileira", como, por exemplo, a descriminalização do aborto e da maconha.

Mais do que a força de ter na presidência da Câmara um politico com ideias tão conservadoras quanto as suas, a Bancada da Bíblia mostrou seu raxa já conhecido por muitos durante a votação da cassação de Cunha.

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Deputados de ambos os lados se utilizavam da bíblia para argumentarem de forma contrária ou favorável a cassação do peemedebista. 

O pastor Marcos Feliciano, (PSC-SP), da Catedral do Avivamento, um dos nomes mais conhecidos da Bancada Evangélica, foi um dos dez deputados que votaram pela absolvição de Cunha.

Feliciano é um reconhecido defensor de #Eduardo Cunha, desde os tempos áureos de seu poder, porém, durante a sessão que o cassou, Feliciano permaneceu calado durante todo o encontro.

Vale relembrar que Feliciano, ao falar com a BBC Brasil em abril desse ano, afirmou que Cunha era seu "malvado favorito" por ter conseguido dar prosseguimento ao processo de impeachment da até então presidente Dilma.

Por outro lado, a deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), seguidora da igreja Presbiteriana, rival histórida de Eduardo Cunha no estado do Rio de Janeiro, foi contrária ao colega evangélico e votou pela cassação de Cunha.

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Garotinho chegou a chamar Eduardo Cunha de "mafioso". "Fariseu" também foi outra denominação utilizada pela filha do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho. A deputada, como não poderia deixar de ser, se utilizou de uma passagem da bíblia para sustentar seu voto.

"[O versículo] Está em Timóteo e diz: O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. E esse foi o mal de vossa excelência". disse.

A deputada também relembrou do caso do site pertencendo a Eduardo Cunha cujo domínio era "jesus.com".  A deputada criticou o peemedebista por ele ter utilizado o nome de Jesus para esconder carros luxuosos advindos de propina.

"Câmara laica"

Para encerrar a 'pregação' durante mais uma sessão da Câmara dos Deputados, o que já havia ocorrido durante a votação do impeachment da presidente Dilma, o deputado Cabo Daciolo (PTdoB-RJ), que se declara evangélico, mas sem nenhuma ligação oficial com denominações religiosas, fez questão de rezar um trecho do Pai Nosso na tribuna do plenário da Câmara. E finalizou:

"Eu sou cristão, e a maior decepção que eu tive no Congresso foi a bancada evangélica", esbravejou, com a bíblia em mãos. 

Igrejas e propina

Eduardo Cunha já foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em agosto do ano passado por ele ter, supostamente, repassado dinheiro de propina para a denominação Assembleia de Deus, cuja tem ligação com a igreja que Feliciano representa.

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Segundo a denúncia da PGR, foram dois depósitos no valor de R$ 250 mil. #Dentro da política