Agora é oficial: Eduardo Cunha teve seu mandado cassado, depois de uma sessão lenta e tensa, no dia 12 de Setembro de 2016.

Depois de um longo processo de 11 meses, 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções definiram a votação da sessão que decidiu o futuro de #Eduardo Cunha, que a partir de hoje, não usufrui de qualquer benefício ou imunidade, regalias atribuídas ao cargo que exercia.

O início da sessão, às 7 horas da noite, precisou ser interrompido por uma hora, por falta de quórum, após o advogado de defesa de Eduardo Cunha ter proferido, num discurso persuasivo, que ressaltou que seu cliente “era vítima de grupos dispostos a destituí-lo.” Todavia, o discurso veemente do relator Marcos Rogério contrapôs qualquer insinuação de inocência, inclusive usando palavras fortes como “mentiroso”.

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Dia 12 de Setembro será lembrado como mais um dia de vitórias para a democracia, parte de um todo, que é o grande processo de decisões atípicas aqui no Brasil. Dia memorável, parte de nossa história, que afastou o homem que ocupava um dos cargos de maior importância no Brasil, estabelecendo o seu fim.

Apontado como o pivô que provocou o impeachment da ex-presidente Dilma e com muitas denúncias de envolvimento em escândalos e desvios, o destronado Eduardo Cunha falou com exaltação em sua defesa, mas as vaias salientes não permitiram comoção por parte dos deputados, taxativos em sua decisão.

Toda esta apreensão é porque, além do cargo destituído, Cunha não poderá participar em qualquer tipo de processo eleitoral até 2026, e passa a ser julgado como cidadão comum em qualquer processo civil.

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Emocionado e com a voz embargada, Cunha reiterou que seus erros não seriam os motivadores da cassação, mas sim o jogo político; sublinhou sua posição como vítima, afirmando que sua maior intenção era afastar o governo do PT, baseado em denúncias sólidas de desvios e imprudências administrativas. Porém, tudo isso ficou em segundo plano para os colegas deputados.

Austero, Eduardo Cunha declara que vai escrever um livro, e através dele irá relatar detalhes de todas as situações, ainda obscuras, que irão provar que é uma mera vítima das politicagens.

Mas o que de fato importa é que, a partir de agora, a qualquer momento, poderá ser convocado pelo juiz federal Sérgio Moro para prestar depoimento sobre qualquer inconsistência ou suspeitas em investigações de quaisquer processos de desvios, sonegação ou propinas, vinculados aos temas investigados por Moro. #Crise no Brasil