No último domingo (25), o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, participou de um evento eleitoral na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde fez declarações a respeito do andamento da Operação #Lava Jato. Segundo Moraes, a Polícia Federal realizaria mais uma fase da operação durante a semana que estava por vir, o que acabou se confirmando logo na manhã da segunda-feira (26), com a prisão do ex-ministro Antônio Palocci durante a 35ª fase da Lava Jato. Considerada vazamento de informações da ação da Polícia Federal, a declaração de Moraes não repercutiu bem no Palácio do Planalto e entre membros da oposição.

Explicações

A suposta antecipação do fato feita por Alexandre de Moraes ganha peso diante do contexto eleitoral, no qual o PT alude as últimas ações da Lava Jato a uma perseguição ao partido visando reduzir a força dos seus candidatos nas urnas.

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Segundo a assessoria do ministro, que procurou minimizar o fato, a antecipação seria óbvia, já que seria notória a existência de ações da Lava Jato em quase todas as semanas, por isso a afirmação. Já a Polícia Federal emitiu nota negando ter passado qualquer tipo de informação sigilosa ao ministro, porém confirmou que há uma recomendação para que o responsável pela pasta do Ministério da Justiça esteja em Brasília caso haja demanda de sua atuação em alguma situação envolvendo a operação. Em um evento na manhã da segunda-feira (26), em São Paulo, o ministro se pronunciou sobre o caso e reiterou não ter recebido qualquer informação antecipada, mas que é informado apenas às 6h da manhã do mesmo dia em que as ações da Polícia Federal acontecem.

No entanto, de acordo com o jornalista Matheus Leitão, do portal G1, o ministro da Justiça teve uma reunião com a superintendência da Polícia Federal na última sexta-feira (23).

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O encontro teria como tema assuntos relacionados à ação da PF em São Paulo relacionadas ao combate ao crime organizado, contrabando e tráfico de drogas. Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, em declaração a Leitão, a Lava Jato não foi alvo do encontro, que tratou de temas como a fiscalização de empresas de valores, a legislação de armas em bancos e o tráfico de armas e drogas.

Repercussão no Planalto

A notícia do ‘’vazamento’’ não caiu bem no Palácio do Planalto e Michel Temer teria convocado o ministro da Justiça para dar mais explicações sobre a situação. No entanto, após consultar sua equipe de assessores, o presidente decidiu aguardar um pouco mais antes de ter uma conversa com Moraes. A intenção do adiamento, segundo informações do jornalista Ilimar Franco, do Globo, seria “abafar” o caso com a própria prisão de Palocci, que dominaria os noticiários e reduziria o impacto do fato envolvendo o ministro. Além disso, postergar o encontro também teria como feito afastar o fato do #Governo, já que a ideia de que o ministro está recebendo informações privilegiadas sobre a Lava Jato pode gerar suspeitas contra o próprio presidente, sob a lógica de que Temer também deveria saber de algo tão sigiloso informado a um dos membros de sua equipe ministerial.

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Repercussão na oposição

Senadora do PT pelo estado do Paraná e ex-ministra do governo Dilma, Gleisi Hoffmann comentou a situação. Em sua conta no Twitter, ela questionou onde estaria a autonomia da Polícia Federal e afirmou que esta teria funcionado apenas durante os governos Lula e Dilma. Já o deputado gaúcho Paulo Pimenta, também do PT, afirmou que por trás da “ameaça do ministro da Justiça’’ estaria a seletividade da Operação Lava Jato e que o governo estaria usando a Polícia Federal na boca de urna contra o Partido dos Trabalhadores. Já a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB do Amazonas, protocolou requerimento pedindo que o ministro da Justiça seja convocado para dar explicações à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal sobre ter utilizado a Polícia Federal politicamente durante campanha eleitoral.