O peemedebista Eduardo Cunha teve seu primeiro teste de popularidade, depois de ser cassado na noite de segunda-feira (12), sob a acusação de ter mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre contas suas não declaradas existentes no exterior.

Nesta quinta-feira (15), o ex-deputado causou alvoroço no saguão do aeroporto de Brasília. Ao tentar embarcar para o Rio de Janeiro, o ex-presidente da Câmara e então homem forte da República, não passou despercebido, sendo acompanhado por uma pequena multidão, da qual parte o hostilizava e parte o tratava como artista pop, com direito a selfies, abraços e tapinhas nas costas.

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Em um vídeo mais completo, com 3 minutos e 13 segundos de duração, as cenas começam com Cunha andando sozinho e com uma mulher que o acompanha por quase um minuto gesticulando e com dedo em riste. “O dia que o senhor tiver uma arma na cabeça ou tomar um murro por causa de um celular, o senhor vai saber o que é segurança”, bradou indignada a senhora.

Ao fundo ouve-se e vaias e palavras de ordem como “golpistas”, “bandido”, “ladrão”, “machista” e “Fora, Cunha”. No entanto, a cena seguinte mostra o político cercado de “fãs”, que o abraçam e posam ao seu lado fazendo as populares selfies. Neste momento, as frases que sobressaem são “Cunha, o senhor é o cara”, “Virou uma estrela mesmo”, “Fora PT” e “Obrigado por livrar nós do câncer”. Um sorridente Cunha atende pacientemente a todos, agradecendo àqueles que lhe são elogiosos e ignorando aos demais.

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Na sua página na Internet, que tem quase 264 mil seguidores, o ex-deputado, que foi abandonado na última hora por aliados que até outro dia o defendiam publicamente, ainda não se pronunciou sobre seu primeiro encontro com o povo ou sobre a sensação de ter de usar um avião de carreira comum e sem as regalias que lhe cabiam com deputado e presidente da Câmara. Com mais tempo livre, prometeu escrever um livro bombástico em que contaria parte dos segredos do Planalto. Mas antes, terá de se preocupar em se defender na Justiça das ações que lhe são imputadas. Na quarta-feira (14), por exemplo, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a ação penal na qual é acusado de ter conta não declaradas no Exterior fosse remetida à primeira instância, sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro. Cunha também é alvo de outra ação penal, envolvendo o recebimento de US$ 5 milhões de propina referente a contratos de navios-sonda da Petrobras. Esta será remetida para à segunda instância da Justiça Federal no Rio de Janeiro. #Cunha vaiado #Cunha cassado #Eduardo Cunha