Com mais de 28 milhões de habitantes, a Angola é comandada por José Eduardo dos Santos deste 1979, ou seja, há 37 anos.

Nos últimos tempos, as relações entre os africanos e os brasileiros cresceram assustadoramente por conta das exportações, recebidas pelo país colonizado pelos portugueses, de produtos industrializados no Brasil. Em todo o continente africano, a Angola é o país que mais importa artigos exportados por indústrias brasileiras.

Além de contribuir com a economia do país, agora governado por Michel Temer, a Angola também aquece o setor da construção civil mas, neste caso, em seu próprio território. Isto porque boa parte das grandes empreiteiras com sede no Brasil possuem obras no continente africano e todas elas erguidas com recursos liberados pelo Brasil.

Publicidade
Publicidade

Nos últimos oito anos, mais de R$ 14 bilhões foram concedidos às construtoras para investimentos na Angola.

A principal empreiteira com obras no continente africano é a brasileira Odebrecht, envolvida em dezenas de denúncias de esquemas de desvios de dinheiro no Brasil, conforme investigações que correm na operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Nas terras do presidente Santos, um time com o seu nome, o "Santos Futebol Clube", é financiado pela construtora que também arca com todos os custos da campanha presidencial do mandatário angolano, mais de R$ 50 milhões. Além disso, a Odebrecht levanta, por lá, usinas hidrelétricas, constrói e pavimenta rodovias, realiza obras de saneamento em todo o país, além de ser dona de um shopping center e de uma rede de supermercados na capital Luanda.

Apesar de ter sido condenada pela Justiça da Angola por acusações de trabalho escravo, a empreiteira é a maior empregadora do país com mais de 20 mil colaboradores prestando serviços em suas instalações.

Publicidade

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) financia 70 projetos no país africano. Destes, 60% tiveram a Odebrecht como detentora dos fundos para a execução das obras. Outra construtora brasileira, Andrade Gutierrez, recebeu três vezes menos do que a concorrente. Em uma década, mais de R$ 41 bilhões foram parar nas contas da empreiteira que, no Brasil, levantou a Arena Corinthians, em Itaquera, Zona Leste da capital paulista.

Diante das notícias de miséria e subdesenvolvimento ao que são submetidos os africanos, a verdade é que a Angola cresce em um ritmo acima de outros países em seu continente graças à reserva de petróleo presente em seu subsolo. Seu presidente, que detém um patrimônio em torno de US$ 20 bilhões, e sua filha Isabel, empresária do ramo cimenteiro e sócia em empresas ligadas às telecomunicações, com um patrimônio de US$ 3 bilhões; são as pessoas que mais acumulam fortunas na África e estão em primeiro e segundo lugar no ranking dos africanos mais ricos.

Publicidade

A maior prova da desigualdade social em Luanda está na construção erguida em um dos subúrbios da cidade, a casa do presidente José Eduardo dos Santos. Embora resida no Palácio Oficial, Santos mandou a Odebrecht construir, com financiamento do BNDES, uma mansão onde residem apenas sua mãe e seus filhos. A obra custou a incrível quantia de US$ 91,7 milhões.

Estimativas dão conta que cada brasileiro empregado, com carteira de trabalho assinada, contribuiu com mais de R$ 2,80 para a construção da sumptuosa residência presidencial angolana. #Governo #Crise econômica