O presidente Michel Temer determinou nesta terça-feira, 27, uma série de restrições à liberdade de circulação da imprensa no Palácio do Planalto. A imprensa, que antes poderia circular livremente pelo quarto andar do palácio - onde ficam os gabinetes dos ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil;  e  de Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo - agora só poderão entrar no espaço com a autorização dos ministros e, mesmo assim, somente acompanhados pela equipe de assessoria de imprensa da presidência. O acesso ao terceiro andar, onde fica o gabinete do próprio #Michel Temer, também será restrito. 

O objetivo da restrição à circulação dos jornalistas é evitar que eles obtenham, dos ministros, informações consideradas "inconvenientes" por Temer.

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Uma das informações obtidas por jornalistas recentemente e que causou um mal-estar entre Temer e sua equipe foi a de que o ministro Geddel Vieira Lima defendia a anistia para o crime de caixa 2. "Caixa 2 não é crime. Quem fez caixa 2 não pode ser penalizado", disse Geddel a jornalistas no dia 19 de setembro. A declaração de Geddel irritou Michel Temer, que se disse surpreso com o comentário de seu ministro. "Caixa 2" é o nome dado ao dinheiro que não é declarado aos órgãos de fiscalização, para que não possam ser identificadas a sua origem e o seu destino. Temer acredita que a declaração de Geddel fez parecer que seu governo é conivente com a corrupção. 

No mesmo dia em que Temer restringiu o acesso da imprensa ao Palácio do Planalto uma nova trapalhada tomou conta do noticiário. Os administradores do site oficial do Ministério da Saúde divulgaram que Michel Temer renunciaria à Presidência da República, informação desmentida horas depois. 

Ministros falam demais

Analistas acreditam, entretanto, que os problemas enfrentados pela comunicação do governo federal não são culpa da imprensa - que apenas relata o que ouve dos membros do governo - mas sim dos próprios ministros.

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"É impressionante a usina de declarações e de ideias inapropriadas do ministério de Temer", analisa o jornalista Kennedy Alencar, complementando que os ministros escolhidos por Michel Temer fazem muitas "trapalhadas". 

Além das restrições à atuação da imprensa no Palácio do Planalto, outra ação de Michel Temer para tentar melhorar a comunicação do seu governo foi a contratação de um porta-voz, anunciada nesta quarta-feira, 28. O diplomata Alexandre Parola foi o escolhido para a missão. Mas esta estratégia também está sendo criticada. "Imaginar que um porta-voz dará uniformidade a um governo tão desuniforme é supor que o problema do doente pode ser resolvido retocando as manchas da radiografia", opina o jornalista Josias de Souza.