O ex-presidente da República, Luiz Inácio #Lula da Silva, o Lula, voltou a estar no centro do debate político do país nessa semana ao se tornar alvo da denúncia dos procuradores da operação #Lava Jato. Em uma apresentação detalhada e bastante repercutida na mídia, a “força-tarefa” da operação, capitaneada pelo procurador Deltan Dallagnol, apontou na última quarta-feira os supostos crimes cometidos por Lula.

Os procuradores envolveram Lula em crimes como corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro, no qual também esteve imputada sua esposa, Marisa Letícia. Funcionários e executivos da empreiteira OAS também foram denunciados.

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Dallagnol qualificou Lula como o “comandante máximo do esquema de corrupção na Petrobras”, o que despertou a insatisfação dos militantes petistas.

No entanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), #gilmar mendes, interpretou a denúncia por um outro lado. Para ele, será positivo para Lula e seus advogados terem, agora, posse de uma denúncia concreta. Na avaliação de Mendes, isso poderá facilitar o trabalho da defesa do ex-presidente. O ministro teceu comentários sobre o caso nesta sexta-feira, 16.

“Agora, objetivamente, há uma denúncia. Todo o restante é mimimi e trololó. Isso é positivo e traz segurança ao presidente Lula e ao seus advogados, já que agora eles têm uma denúncia para trabalhar. Tendo denúncia, se defende apenas da denúncia proferida. Sobre as demais considerações alheias à denúncias, Lula não precisará responder”, avaliou Gilmar Mendes.

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Na quinta-feira, um dia depois da denúncia dos procuradores da Lava Jato, Lula fez um pronunciamento ao lado de aliados políticos que durou mais de uma hora. Em sua fala, ele criticou a falta de provas e pediu “respeito” aos seus familiares. Ele se emocionou em alguns momentos e voltou a apresentar sua face mais partidária, demonstrando orgulho de ser o principal líder do Partido dos Trabalhadores, o PT.

Mendes, por outro lado, despistou ao ser perguntado sobre a existência ou não de provas dentro da denúncia oferecida pelos procuradores. O ministro alegou que não tem conhecimento do processo. “Não o conheço. É algo que precisa ser analisado”, ressaltou o ministro.

“Agora Lula terá a oportunidade de elaborar a sua defesa, que será analisada por um juiz independente. Há a chance de recurso. Nesse momento, o processo se encontra judicializado”, explicou Mendes, avaliando que o debate deixa de ser político e entra na esfera judicial.

A denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-presidente foi enviada à 13ª Vara Federal de Curitiba, que é comandada pelo juiz Sergio Moro.

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Ele não tem um prazo formal para apreciar a denúncia. Antes de decidir se transforma os acusados em réus, o juiz pode dar cerca de dez dias para a defesa prévia. Moro, por óbvio, pode aceitar ou rejeitar a denúncia a ele oferecida.

Caso o juiz federal aceite a denúncia, essa seria a primeira vez que Lula enfrentaria um processo criminal dentro das investigações da Lava Jato em Curitiba. A defesa do ex-presidente criticou a forma com os procuradores ofereceram a denúncia na quarta-feira. O advogado Cristiano Zanin, por exemplo, chamou a apresentação de “espetáculo judicial e midiático”.