Um dos personagens mais polêmicos do atual cenário da política brasileira, o deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pode ter sua cassação sacramentada em votação nesta segunda-feira, dia 12. Após quase um ano desde que foi indiciado por possuir contas bancárias no exterior, Cunha deve enfrentar o voto de seus colegas de Congresso amanhã. Para que ele perca o mandato, são necessários 257 votos do total de 512 deputados habilitados para a votação. Segundo enquete realizada pelo jornal O Globo, 258 deputados já declararam que irão votar pela cassação de #Eduardo Cunha.

Atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já afirmou que só iniciará a sessão caso ao menos 420 deputados estejam presentes no plenário.

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Além de torcer por uma baixa adesão para que um improvável adiamento da votação ocorra, os aliados de Cunha articulam a estratégia de apresentar uma questão de ordem, antes da votação, para que seja votado uma resolução ao invés de um parecer. A jogada busca permitir que uma provável cassação de Cunha não o deixe inelegível, permitindo que – mesmo se perder o mandato – o deputado possa tentar se eleger para cargos públicos nas próximas eleições.

 

Da eleição ao #Impeachment, a trajetória de Cunha na Câmara

Eleito para a presidência da #Câmara dos Deputados em fevereiro de 2015, Cunha se tornou um dos principais adversários políticos da ex-presidente Dilma Rousseff. Sob seu comando, o Congresso passou a aprovar diversas das chamadas pautas-bomba, que enfraqueceram a autonomia e contribuíram para a derrocada do governo da petista.

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Em dezembro do ano passado, após fracassar em uma tentativa de negociação com o PT, Cunha deflagrou a tramitação do processo de impeachment, que foi aprovado pelo Congresso e concluído no fim de agosto deste ano. A medida foi o revide de Cunha contra o ex-governo, que apoiou a abertura de CPI e de processo contra Cunha, acusado de possuir contas com dinheiro não declarado na Suíça. Em sua defesa, o deputado afirma não possuir contas, mas sim trustes de empresas offshore situadas no exterior.

Afastado do mandato pelo Superior Tribunal Federal (STF) em maio, Cunha responde a duas ações penais no STF e a outras acusações na Justiça. Mulher do deputado, Cláudia Cruz também é uma das investigadas pelo juiz Sérgio Moro na Operação Lavajato, e está respondendo a processo na Justiça. Ela é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de dívidas.

 

Estratégia de defesa: telefonemas com a ajuda da filha

Apesar de ter visto sua imagem ter caído em franca derrocada nos últimos meses, Eduardo Cunha ainda goza de prestígio entre seus colegas.

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Outrora poderoso, é reconhecido até mesmo por seus adversários como um político eficaz e sorrateiro, difícil de se dar por vencido. Ás vésperas da votação que pode sacramentar seu mandato, Cunha tenta se salvar telefonando para aliados, tentando convencê-los a não participarem da votação desta segunda-feira.

Ao seu lado também está atuando sua filha, Danielle Cunha. Dona de uma agência de marketing político, ela tenta convencer deputados jovens, geralmente em seu primeiro mandato, a votarem contra a cassação ou a não comparecerem à sessão. Apesar de difícil, a estratégia é um dos últimos recursos de Cunha para tentar manter algum poder no Congresso.

Outrora visto por alguns como um “herói” por ter sido o principal articulador do início do processo de impeachment de Dilma, Cunha caiu em desgraça e teve sua imagem manchada junto aos eleitores após reveladas as acusações de suas supostas contas bancárias com dinheiro não declarado no exterior. Se há poucos meses Cunha celebrou ter empurrado Dilma do precipício, o deputado pode agora sofrer o mesmo destino de sua vítima. Ao que tudo indica, o fim da linha para Eduardo Cunha pode chegar amanhã.