Os dias que antecederam a votação no Senado que culminou com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República, por 61 votos a favor de sua destituição do cargo contra 20 a favor de sua volta ao Planalto, foram inflamados por centenas de protestos, em todo o país, de grupos pró e contra a ex-presidente.

Entretanto, após o resultado final da votação e a posse que oficializou Michel Temer (PMDB) como Presidente da República, foram os militantes de esquerda e grupos comunistas ligados a partidos políticos que invadiram as principais capitais brasileiras para manifestar sua indignação com o que chamam de golpe contra a democracia.

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Na capital paulista, defensores da ex-presidente petista enfrentaram as forças policiais do Estado por quatro dias consecutivos e fizeram das ruas do centro da cidade um verdadeiro front de batalha.

Os manifestantes pró-Dilma são jovens de classe média, em sua grande maioria, em nenhum momento atenderam às ordens dos policiais militares para recuarem e desbloquearem as vias que estavam com suas passagens impedidas por barricadas montadas com entulho, sacos de lixo e lixeiras plásticas retiradas dos postes da região central. Diante da resistência, os batalhões militares provocaram a dispersão com bombas de gás e tiros de espingardas com balas de borracha.

Diversos vídeos fizeram parecer truculenta as ações da polícia militar, acusando a corporação de utilizar força repressora contra protestos 'pacíficos' que tinham apenas a pretensão de demonstrar que o governo de Michel Temer não é aceito por determinados grupos de esquerda.

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Mas a história não é bem essa.

Após bloquearem a Avenida Paulista, na região do MASP, na última quinta-feira (1), por volta das 18h; os manifestantes se dirigiram no sentido da Rua da Consolação em trajeto definido e acordado com o comando da PM. Porém, quando estavam próximos da Praça dos Ciclistas, eles decidiram abandonar o itinerário para seguir em direção à sede do PMDB, partido do presidente Michel Temer, que fica no bairro do Paraíso. 

Como a decisão não estava dentro do que fora acertado antecipadamente com a Polícia Militar, todas as vias que davam acesso ao bairro do Paraíso foram cercadas por policiais e os grupos forçados a permanecer no trajeto inicial. Desta forma, a passeata "Fora Temer" se encaminhou para a região central da cidade descendo a rua da Consolação e acessando as ruas Xavier de Toledo e João Adolfo, no Vale do Anhangabaú. 

No local, os manifestantes novamente tentaram despistar a PM para seguir à sede do PMDB mas foram impedidos por barricadas montadas pelos policiais militares.

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À partir disso, um grupo passou a atacar os oficiais com entulhos retirados de uma caçamba e rojões disparados na direção do cordão de isolamento formado pela polícia; foram quase duas horas de confronto entre manifestantes e forças policiais que reagiram com bombas de efeito moral.

O saldo da ação de militantes pró-Dilma foi dezenas de pontos de ônibus depredados, lixeiras arrancadas das vias públicas, lojas saqueadas e agências bancárias destruídas.

Na tentativa de continuarem suas manifestações pela capital paulista, uma ativista de esquerda chamada Shirlley Lopes publicou em seu Facebook uma ideia um tanto quanto absurda e inconsequente: formar cordão de proteção aos manifestantes com crianças contra a ação de policiais. Shirlley, que é mãe de uma bebê de 18 meses, disse que a ideia foi implementada em manifestação anterior, contra o projeto de Lei 5069, com o intento de impedir o avanço das forças de segurança contra os grupos de protestantes.

Em sua postagem, a ativista convoca seus companheiros a formar um cordão utilizando crianças como escudo humano. Ideologias políticas dos esquerdistas já estão beirando a insanidade! #Protestos no Brasil #Crise-de-governo