O dia começou bem agitado no campo político. O ex-presidente da Câmara dos Deputados - e agora ex-deputado - #Eduardo Cunha teve seu mandato cassado pelo plenário, levando uma goleada de 450 votos a favor de sua cassação contra míseros 10 contra. Após 314 dias de processo, ele deixou de ser um dos deputados mais poderosos da história. Além do placar histórico, outro detalhe chamou a atenção no meio desse turbilhão: a aliança entre os inimigos declarados (pelo menos em frente às câmeras) PT, DEM e PSDB para varrer Cunha do cenário político. Meses atrás, os mesmos DEM e PSDB se aliaram a Cunha para fazer com que o processo de cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff ganhasse força entre os parlamentares.

Publicidade
Publicidade

Uma aliança que só poderia acontecer na política brasileira.

"Patrono" do impeachment, Cunha reafirmou em seu discurso que, se não fosse por ele, o processo seria engavetado, mesmo com todo o clamor popular dos milhões de manifestantes que saíram às ruas em todo o país. Ele voltou a negar que possui dinheiro fora do país e a ameaçar veladamente outros parlamentares, dizendo " hoje, sou eu. Amanhã pode ser um de vocês". Porém, não houve apelo capaz de salvá-lo.

Além de perder o cargo e as mordomias, Cunha perdeu outro grande privilégio: o foro privilegiado. Com isso, ele vai parar direto nas mãos do temido juiz federal Sérgio moro. Apesar do STF (Supremo Tribunal Federal) ter trabalhado em cima de Cunha com mais rigor do que com outras figuras políticas encrencadas com a justiça - a exemplo do presidente do senado Renan Calheiros - manter o processo no STF permite que o acusado tenha mais tempo para articular a sua defesa, devido à morosidade com que o Supremo costuma tratar alguns casos.

Publicidade

As chances de Eduardo Cunha ser preso são enormes. Meses atrás, o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, havia pedido a prisão de Cunha, junto com a de Sarney e Renan Calheiros. Porém o ministro do Supremo, Teori Zavascki, negou.

Como não poderia deixar de ser, Cunha refez a ameaça de "cair atirando". Uma eventual delação dele traria à tona falcatruas de dezenas de figurões da política, inclusive de Lula e Dilma. Cunha saiu da Câmara dos Deputados, porém não sairá dos noticiários tão cedo. #Lava Jato #Corrupção