O início do discurso do presidente Michel Temer na abertura da 71ª Assembleia Geral da ONU parecia que seria apenas mais uma fala “para inglês ver”. Com uma exposição ampla e objetiva, o chefe brasileiro buscou abordar diversos temas de interesse às nações desenvolvidas do mundo, como a crise dos refugiados, acordo de paz entre Israel e Palestina e o conflito na Síria. No entanto, usou um minuto de tempo para apresentar a seus pares sua visão do recente processo de #Impeachment brasileiros, que resultou no afastamento de Dilma Rousseff e o alçou à cadeira presidencial.

“O Brasil acaba de atravessar processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira, que culminou em um impedimento.

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Tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional. Não há democracia sem Estado de direito – sem normas que se apliquem a todos, inclusive aos mais poderosos”, disse didaticamente Temer, destacando o caráter livre da imprensa brasileira, de uma sociedade plural e o respeito às liberdades democráticas dentro do qual, segundo ele se deu a destituição presidencial. “Nossa tarefa, agora, é retomar o crescimento econômico e restituir aos trabalhadores brasileiros milhões de empregos perdidos. Temos clareza sobre o caminho a seguir: o caminho da responsabilidade fiscal e da responsabilidade social”, destacou.

Temer também respaldou uma posição histórica brasileira na defesa da criação de um Estado para os palestinos, questão que desagrada aos Estados Unidos e Israel e que é sempre tratada com demasiado pudor sob risco de criar um conflito diplomático.

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“Também nos preocupa a ausência de uma perspectiva de paz entre Israel e Palestina. O Brasil apoia a solução de dois Estados, em convivência pacífica dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas. É responsabilidade de todos dar novo ímpeto ao processo negociador”, afirmou.

Com foco nas questões mais globais, o presidente também abordou questões nevrálgicas, como a dos refugiados, a agenda de desarmamento nuclear e direitos humanos. “O mundo carece de normas que atenuem as assimetrias da globalização. Muitos cedem à resposta fácil do protecionismo. Não nos podemos encolher diante desse mundo. Ao contrário, temos de nos unir para transformá-lo”, enfatizou, usando ainda o Brasil como um exemplo para o mundo.  “É assim que o Brasil atua, na nossa região e além dela. Um país que persegue seus interesses sem abrir mão de seus princípios. Queremos para o mundo, Senhor Presidente, o que queremos para o Brasil: paz, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos”. #Assembleia da ONU #Michel Temer