Frágil cenário econômico, com inflação de 8,97%, de acordo com os dados do IPCA. Índice de desemprego atinge 11,6% no segundo trimestre do ano, alcançando a sétima maior taxa do mundo. Além disso, o governo Temer ainda enfrenta um dos maiores índices de impopularidade da história do país. Segundo os dados de uma pesquisa do Ibope, divulgada no início de outubro, apenas 14% dos entrevistados avaliaram como positivo o governo. O instituto ouviu 2.002 pessoas em 143 municípios brasileiros.

Os analistas econômicos são unânimes quando o assunto é ajuste fiscal, como medida para conter o déficit. Reforma da Previdência, corte de gastos em programas sociais, reforma trabalhista, privatizações, venda de ações da Petrobras e do Pré-Sal, são algumas da medidas do pacote econômico de Temer, que sofre forte rejeição dos setores populares.

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No início de setembro, a agência de classificação de risco Moody's Investors Service afirmou, em nota, que a confirmação do impeachment de Dilma pelo Senado "remove um elemento de incerteza que pesou sobre a economia do país nos últimos meses." Entretanto, prevê que Temer terá dificuldades para recolocar a economia nos trilhos. “#Michel Temer ainda enfrenta desafios significativos na implementação das reformas necessárias para a melhora do perfil de crédito do #Brasil", diz a nota.

Para o analista político Edilton Tourinho, Temer fará alterações pontuais nas reformas trabalhistas e da Previdência, mantendo os direitos fundamentais, na tentativa de driblar a impopularidade das medidas que, segundo ele, são necessárias. “Tomando como exemplo outros países com estabilidade econômica, para poder fechar a sua conta futura da previdência, tem que fazer essas adaptações.

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Quando a expectativa de vida da população aumenta, você tem que acompanhar essa expectativa, senão você terá que sacrificar, a médio e longo prazo, o sistema”, afirma.

Outro desafio que Temer terá que enfrentar, segundo Edilton, é repactuar a sua base aliada para conseguir aprovar as medidas necessárias no Congresso. O analista acredita que a escolha de ministros delatados na Operação Lava Jato é um sinal dessa tentativa do governo. “Ninguém evidentemente tem acusações formais, são apenas levantamentos preliminares. Mas eu acho temerário. Acho que uma atitude de não apostar no benefício da dúvida, [...] fez parte dessa repactuação. Sobretudo, com o Renan [Calheiros, presidente do Senado], que eu acho que poderá ser a bola da vez, que ao impor alguns nomes relativamente comprometidos na Lava Jato e com ele, Renan protege e se protege”, conclui.

O cientista político Cláudio André acredita que Temer terá alguns problemas em satisfazer as ambições da base a médio prazo. "Para aprovar o impeachment na Câmara e no Senado, Temer e os seus aliados prometeram muitos cargos, ministérios e secretarias, e naturalmente, alguns atores políticos não vão ser contemplados. Resta saber se irão seguir satisfeitos", diz. #Política