A Operação #Lava Jato, que construiu seus casos contra dezenas de políticos brasileiros a partir de delações premiadas, está a ponto de tomar uma decisão surpreendente. A Polícia Federal agora defende que não se faça mais nenhum acordo de delação premiada. O novo comportamento dos policiais acontece dois meses depois da empreiteira Odebrecht ter dito, em delação, que Michel Temer pediu um "apoio financeiro" à empresa. Este apoio resultou na entrega de R$ 10 milhões ao PMDB e a políticos e empresários indicados pelo partido. Pessoas ligadas a Odebrecht acreditam que a nova posição da Polícia Federal está relacionada a esta delação. As fontes da Odebrecht dizem ainda que a Polícia Federal está obedecendo a determinações do próprio #Michel Temer.

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As informações são do jornal Folha de São Paulo. 

A Polícia Federal nega qualquer ingerência política na decisão. A versão oficial é de que, em mais de dois anos de operação, a PF já tem dados suficientes para dar prosseguimento às investigações por conta própria, sem precisar do auxílio dos acusados. Além disso, há a crença de que, caso novos delatores sejam beneficiados com a redução ou a progressão das penas, a opinião pública brasileira passe a considerar que os contraventores não estão sendo punidos. O juiz Sérgio Moro compartilha da mesma visão da Polícia Federal, mas a Procuradoria Geral da República discorda de ambos. De 2014 até hoje foram celebradas mais de 60 delações premiadas. Caso a Polícia Federal dê prosseguimento às delações, este número deve aumentar para 140, uma vez que vários funcionários da Odebrecht já aceitaram contar o que sabem. 

"Ajuda financeira" à Temer

A delação que supostamente acendeu a luz amarela entre os investigadores e o Palácio do Planalto aconteceu em agosto.

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Em delação premiada, o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, acompanhado de um impressionante batalhão de 100 advogados e 50 executivos da empresa, revelou ter dado ao presidente Michel Temer a quantia de R$ 10 milhões. De acordo com Marcelo, foi o próprio Michel Temer quem pediu o "apoio financeiro", durante reunião em Brasília. O pagamento foi realizado em dinheiro vivo. Deste total, R$ 6 milhões foram entregues ao presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf. Nos meses seguintes a Fiesp passou a patrocinar uma intensa campanha publicitária pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. #Impeachment