Considerado um dos principais personagens do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-deputado #Eduardo Cunha foi preso preventivamente na quarta-feira (19) pela força-tarefa da operação #Lava Jato. Com a prisão do peemedebista, aumentam os rumores de uma possível delação premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados. Tal perspectiva, comemorada pela oposição, pode gerar desconforto para o #Governo Temer.

Influência no governo

De acordo com o despacho expedido pelo juiz federal Sérgio Moro, uma das principais razões para a prisão preventiva de Eduardo Cunha seria a manutenção da influência do ex-deputado federal.

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Para o Ministério Público Federal (MPF) e os procuradores envolvidos na operação, que pediram a prisão do peemedebista, Cunha continuaria usando terceiros para proceder com intimidações e obstruções às investigações em andamento. Segundo Moro, em decorrência da atuação do ex-parlamentar e do desconhecimento a respeito da extensão de seus crimes e rede de influência, a melhor medida seria proceder com a prisão. Mesmo afastado, Eduardo Cunha teria participado ativamente indicando alguns nomes que compõem o governo Temer. A principal indicação, citada no pedido de prisão, seria a do deputado Maurício Quintella (PR-AL), atualmente na função de ministro dos Transportes, e que no Conselho de Ética da Câmara votou contra a cassação de Cunha. Ausente do país em viagem à Índia e ao Japão, o presidente Michel Temer antecipou a volta ao Brasil sem dar maiores explicações, mas, segundo informações, teria partido de Tóquio antes de a prisão de seu colega de partido ter sido anunciada.

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Oposição comemora

A notícia da prisão de Eduardo Cunha foi bem recebida pela oposição. Além de ser do mesmo partido do presidente Michel Temer, Eduardo Cunha foi o responsável por dar início ao processo de impeachment que resultou na saída de Dilma Rousseff da Presidência. A expectativa é de que o ex-presidente da Câmara negocie uma delação premiada e entregue tudo o que sabe, fornecendo informações que possam ser prejudiciais ao atual governo. Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que lidera a oposição no Senado Federal, caso isso ocorra, ‘’esse governo de Michel Temer não se sustenta por um dia’’, afirmou. Além disso, Farias comentou uma possível mudança de postura na abordagem da prisão de Cunha, durante a qual não teria havido uma grande cobertura midiática, o que para o parlamentar ocorreu em outros momentos. Defensor da delação premiada de Eduardo Cunha, o deputado Sílvio Costa (PCdoB-PE) também comemorou a prisão do ex-deputado como um possível ataque letal ao governo Temer e ironizou o suposto temor de alguns deputados e membros do governo de serem delatados.

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Versões

Apesar do otimismo da oposição, há quem acredite que a prisão de Eduardo Cunha desmonte a ideia propagada pelo PT de que a Lava Jato estaria em uma cruzada contra o partido e sobretudo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Entre os que defendem essa versão está o vice-líder do PSDB na Câmara, o deputado federal Betinho Gomes, de Pernambuco. Para Gomes, a decisão de Moro mostraria que “a justiça não é de direita, nem de esquerda” e por isso se dedica à investigação de políticos de várias legendas.

Por outro lado, como expõem alguns especialistas, a detenção de Eduardo Cunha não passaria de uma estratégia visando justamente indicar a imparcialidade do juiz Sérgio Moro. É o que aponta, por exemplo, o cientista político Carlos Eduardo Martins, entrevistado pelo Jornal do Brasil, para quem a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados nada mais é do que uma ‘’estratégia de tentar tirar a acusação de seletividade da Lava Jato’’, que evidenciaria não apenas um ‘’erro estratégico na luta contra ao golpe”, como também visa atribuir a Eduardo Cunha uma ‘’responsabilidade excessiva’’. Para Martins, isso serve para legitimar, junto à direita, a ideia de que a Lava Jato estaria de fato combatendo a corrupção no país.