Em tempos remotos, dia de eleição era dia de festa: festa da democracia. Significava a esperança do povo por governos que demonstrassem maior interesse pelas demandas populares. Significava que ao exercer o poder do voto, assumíamos a “soberania”, determinando a eleição dos candidatos que apresentavam as melhores propostas.

O que mudou com o passar dos tempos? Com os eleitores ou com os candidatos? Com as propostas ou com as demandas?

Os eleitores se tornaram, a cada ano, menos capazes de fazer suas próprias escolhas com base na coerência das propostas dos candidatos ou dos partidos políticos, e as demandas populares passaram a sofrer a influência implacável das necessidades básicas da maioria da população.

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Comer e morar se tornaram demandas imediatas.

Quanto aos candidatos, estes fortaleceram a sua capacidade de confundir “melhores propostas” com “promessas encantadoras”. A presença do PT por 13 anos no comando do país é um exemplo disso, pois para chegar ao poder, tentando tantas vezes sem êxito em #Eleições anteriores, aprenderam como nenhum outro partido a articular as alianças mais convenientes e a se aliar ao capital econômico.

A partir daí, o capital econômico passou a comandar demandas e promessas, as doações de empreiteiras forneceram o ingresso ao mundo das propinas e das trocas de prioridades e de interesses e, por fim, nem uma nem outra representam hoje os interesses coletivos da população.

Ao fim e ao cabo, candidatos de origem progressista também se rendem ao poder econômico hegemônico, mantendo-se o sistema de barganha eleitoral que vicia o voto.

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Quem compreende o quanto esse processo tem minado nossa democracia deixou de se entusiasmar com o dia das eleições. E quem não entende, que representa a grande massa de manobra, continua guiado pelas promessas de mudança que nada mudam, pelos desencantos pessoais e pelas manobras oportunistas de candidatos desonestos. Para ambos a festa da democracia não empolga mais.

Votar não é opção

Resta então dizer que ainda assim, votar não é uma opção. Não podemos fingir que o nosso voto não é importante porque nada vai mudar. Se cruzarmos os braços, tudo vai mudar para pior e essa também terá sido uma escolha nossa.

Diante da situação que passa nossa Nação, esse não é um dia de festa, não é uma festa da democracia, nem sequer é um momento de grandes mudanças na vida política brasileira, mas é um ponto de inflexão. Estas eleições municipais representam o momento em que o Brasil começa a mudar seu rumo, e você precisa dizer que se importa com isso.

Os brasileiros foram às ruas para pedir pelo #Impeachment e pelo fim da #Corrupção.

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Agora devemos ir à urnas para mostrar que nos importamos muito com os destinos da nossa cidade.

Por mais difícil que seja escolher, quando praticamente não se tem escolha, o voto nulo ou em branco não é a manifestação de consciência cívica. Como disse o ex-presidente americano Abraham Lincoln, “ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento”.

Diga não ao voto nulo.