Nesta quinta-feira (13), o juiz federal Sérgio Moro sentenciou a 19 anos de prisão o ex-senador Gim Argello pelos crimes de #Corrupção passiva, obstrução da Justiça e três formas de lavagem de dinheiro. Argello foi preso na 28ª fase da Operação #Lava Jato, em sua residência na Capital da República. A deliberação da primeira instância é passível de recurso.

O ex-senador tinha vínculo com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Na época das suspeitas, Gim foi acusado em 2014 de pressionar empresários que deveriam participar de esclarecimentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, o qual ocorreu no Senado Federal.

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Mas como em um passe de mágica, os suspeitos foram blindados e nenhum indício foi encontrado, abafaram o caso e o inquérito foi concluído pelo então agenciador (Argello).

Mas como tudo tem um preço, Gim tratou logo de 'mandar a conta' e cobrou pelos favores prestados aos envolvidos. Por incrível que pareça, os comprometidos daquela época foram exatamente os condenados que acordaram com a Justiça as delações premiadas da Lava Jato. Com os depoimentos revelando as obrigações financeiras devidas a Argello, ficou fácil montar o quebra-cabeça, com a Polícia Federal em cena, Gim Argello foi preso.

Em termos de quantia, as acusações referem-se a aproximadamente R$ 7 milhões das empreiteiras OAS e UTC. A publicação do jornal "Folha de S. Paulo" trouxe parte do despacho proferido pelo juiz Moro, que chamou a ação do ex-senador de "criminosa", manchando a "tradição honrosa do nosso Congresso", o magistrado se referia naquele momento da CPI, afirmou o noticiário.

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O exemplo da prática regular do ex-senador foi apontado em outra reportagem do jornal "Metropoles", onde de forma surpreendente transcreve a técnica para o recebimento da 'propina', ou seja, o próprio presidente da UTC, Ricardo Pessoa, em um dos seus depoimentos declarou que, com Gim Argello era diferente, se não tivesse o valor completo para o pagamento não precisava se preocupar. Na verdade, em outra negociação que envolveu R$ 5 milhões de propinas, foram pagos divididos, como se fosse um crediário de seis parcelas.

Os valores eram simbolicamente identificados como título de doações eleitorais para que não houvesse desconfiança por parte do fisco. Argello captava recursos e apontava os partidos que deveriam receber as doações fictícias, assim, não seriam descobertos. Entre as apurações da Polícia Federal (PF) foi encontrada uma transferência de R$ 350 mil para uma igreja no Distrito Federal.

Todos os empreiteiros que participaram das transações junto ao ex-senador já foram condenados, inclusive, foi conhecido que os executivos fizeram parte de vários outros esquemas de corrupção, semelhantes ao do ex-senador.

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Está entre os absolvidos da tramoia de Gim o seu filho, Jorge Afonso Argello Júnior, os assessores do ex-parlamentar Paulo Cesar Roxo e Valério Neves Campos, além de Roberto Zardi Ferreira e Dilson de Cerqueira Paiva Filho, executivos da empreiteira OAS.

Segundo o juiz, o conjunto probatório existente não é suficiente para a condenação dos suspeitos. Moro ainda estabeleceu o pagamento de uma multa equivalente ao R$ 7,35 milhões ao Congresso como forma de minimizar o dano causado à verdadeira "vítima do crime", afirmou o magistrado. #Sergio Moro