Arranhado pelo recente impeachment da presidente Dilma Rousseff e pelo envolvimento, ao lado de outras siglas, no "Petrolão" - esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras -, o Partido dos Trabalhadores (#PT) enfrentou uma duríssima realidade advinda das urnas no último domingo. Na comparação com 2012, o PT perdeu 60% das prefeituras que havia ganho e, na melhor das hipóteses, comandará 263 cidades a partir do ano que vem - isso se os sete candidatos petistas que foram ao segundo turno vencerem no próximo dia 30.

Há quatro anos atrás, quando o segundo mandato do governo Dilma ainda não sentia a volúpia da Operação Lava Jato e muito menos a fragmentação do Congresso Nacional, o PT cumpriu um bom desempenho no pleito municipal vencendo em 644 cidades, como São Paulo, que teve vitória de Fernando Haddad sobre o tucano José Serra.

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Em 2016, a perda de prestígio do PT se desmembrou em apoio à legendas de outros campos políticos. PSDB, PSD e PDT, por exemplo, apresentaram crescimento.

Isolamento político, dificuldade de articulação e incerteza nas estratégias de campanha foram alguns dos motivos que levaram o PT a fracassar em capitais importantes, como São Paulo, em que Haddad, atual prefeito, fez somente 16% dos votos válidos contra 53% de João Dória, do PSDB, que venceu em primeiro turno. Em Porto Alegre, por exemplo, os petistas sofrem com a mesma dificuldade do plano nacional: a renovação de lideranças. Raul Pont, de 72 anos, ex-prefeito da capital gaúcha de 1997 a 2000, ficou em 3° lugar no pleito de 2016.

Entre as capitais, apenas um petista foi eleito em primeiro turno. Marcos Alexandre será o novo prefeito de Rio Branco, no Acre, a partir do dia 1° de janeiro de 2017.

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No Recife, João Paulo tentará dar a segunda capital ao PT na disputa de segundo turno contra Geraldo Julio, do PSB. Em 2012, para efeito de comparação, o PT havia levado quatro capitais: São Paulo, Rio Branco, Goiânia e João Pessoa.

Futuro do PT em análise

O resultado insatisfatório nas urnas obrigará o PT a traçar novas estratégias a curto prazo. #Lula, ex-presidente, fundador e principal liderança do partido, defende uma "cara nova" no comando para o lugar do atual presidente Rui Falcão. Denunciado na Lava Jato, Lula, no entanto, tem sido recomendado a concentrar forças em sua defesa, o que o impediria de dirigir o partido nesse momento.

Diante de um cenário que se apresenta sombrio, o PT convocou uma reunião em Brasília, nesta quarta, 5, onde lideranças partidárias irão traçar o calendário para as eleições internas, que devem ocorrer no início do próximo ano. Também será feito um balanço sobre o desempenho da sigla na eleição municipal de 2016, em que além de perder 60% das prefeituras vencidas em 2012, o PT caiu de terceiro para décimo entre os partidos de melhor desempenho.

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Dispostas ao debate interno e a autocrítica sobre os erros recentes, as lideranças do PT pretendem dar algum fôlego ao partido já visando as eleições de 2018, quando o pleito para a presidência da República estará em jogo.

  #Eleições 2016