Durante o mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como presidente da Câmara dos Deputados, se tornou rotina ouvir falar em "manobra", seja advinda do próprio deputado cassado ou articulada por ele e seus aliados. Ao que parece, seu sucessor no cargo aprendeu bem com o mestre. Rodrigo Maia (DEM-RJ) e alguns de seus seguidores estão preparando uma consulta junto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para saber da possibilidade do "presidente-tampão" - com mandato de 8 meses - participar da eleição à presidência da Casa Legislativa no próximo ano.

A estratégia defina pelos aliados de Maia é apresentar pareceres de juristas em que abrem precedentes para uma possível reeleição de um candidato eleito para um "mandato-tampão".

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A peça seria apresentada à CCJ da Câmara, que iria analisar e julgar essa possibilidade. 

Quando houve a renúncia de Eduardo Cunha e a posterior eleição de Rodrigo Maia, o entendimento geral, e do próprio presidente eleito, era de que seu mandato seria levado apenas até o fim do período regimental para o qual Cunha havia sido eleito. Porém, como bom político, sem querer largar o osso, Maia e seus aliados já buscam brechas no regimento para se prolongarem no poder por mais dois anos. 

O regimento determina que um presidente só pode tentar se reeleger se houver, entre as eleições para presidente da Câmara, uma eleição geral para deputado. Trazendo para um cenário mais simples, por exemplo, supondo que Rodrigo Maia era o presidente da Câmara entre 2013 e 2014, como houve uma eleição para o legislativo federal em outubro de 2014 (#Câmara dos Deputados e Senado Federal), ele poderia novamente concorrer ao mandato de 2015 e 2016. 

O cenário determinado pelo regimento não acontece no momento das próximas eleições, em fevereiro de 2017, porém, segundo interpretação de Maia e seus aliados, essa regra só se aplica a presidentes eleitos para mandatos de dois anos.

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Como o caso de Maia é excepcional, ele não se enquadra nessa determinação do regimento. 

O artigo 5º do regimento interno da Câmara dos Deputados diz o seguinte:

Art. 5º Na segunda sessão preparatória da primeira sessão legislativa de cada legislatura, no dia 1º de fevereiro, sempre que possível sob a direção da Mesa da sessão anterior, realizar-se-á a eleição do Presidente, dos demais membros da Mesa e dos Suplentes dos Secretários, para mandato de dois anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente.

§ 1º Não se considera recondução a eleição para o mesmo cargo em legislaturas diferentes, ainda que sucessivas.

§ 2º Enquanto não for escolhido o Presidente, não se procederá à apuração para os demais cargos.

A interpretação é que a expressão "para mandato de dois anos" abriria a brecha para uma possível candidatura de Rodrigo Maia para um segundo mandato. 

Questionado sobre a possível manobra e a possibilidade de disputar uma reeleição, Rodrigo Maia afirmou que essa ideia partiu de alguns "deputados de oposição" e que "não tem interesse em disputar um segundo mandato" #Dentro da política