O ministro de Assuntos Legislativos, Geddel Vieira Lima, renunciou em meio a alegações de que ele recrutou a ajuda do presidente brasileiro para pressionar um membro do gabinete a aprovar um projeto de desenvolvimento de apartamentos de luxo em uma zona de preservação.

Um dos assessores mais próximos do presidente brasileiro, #Michel Temer, renunciou na ultima sexta-feira (25), após as alegações de que ele pressionou o ministro da Cultura a aprovar um empreendimento imobiliário, perturbando os investidores com a perspectiva de uma nova turbulência #Política na maior economia da América Latina.

A demissão de Geddel Vieira Lima do cargo-chave de ministro responsável pelas relações com o Congresso, juntamente com as acusações de que o próprio Temer também pressionou o ministro da Cultura, Marcelo Calero para aprovar o desenvolvimento de apartamentos de luxo, enviou a moeda brasileira para as ações mais baixas do ano.

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Um anúncio feito pelo Ministério Público de que estava sendo considerando abrir uma investigação também alimentou a preocupação de que as consequências do escândalo poderiam descarrilar os esforços do governo de centro-direita de Temer para combater o déficit orçamentário maciço do Brasil e restaurar o crescimento econômico.

"É hora de ir", disse Vieira Lima em sua carta de demissão por e-mail, divulgada pelo escritório de Michel Temer.

A partida de Vieira Lima priva Temer de seu ponto de vista nas negociações com o Congresso, um cargo crucial na medida em que a administração se esforça para promulgar medidas de austeridade impopulares e estimular a recuperação de uma economia que sofre sua pior recessão desde a década de 1930.

O governo de seis meses de Temer perdeu cinco ministros do Gabinete.

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Calero renunciou na semana passada dizendo que se recusou a se curvar à pressão de Vieira Lima. Anteriormente, três ministros do gabinete renunciaram a acusações de corrupção relacionadas com um suborno e um escândalo de retrocesso na estatal de Petróleo Brasileiro (Petrobras).

Michel Temer minimizou o incidente em uma entrevista ao jornal O Estado de S Paulo, em que ele lamentou que um "episódio menor" causou uma tempestade política e disse duvidar que o perdesse apoio vital no Congresso para a sua agenda fiscal de apertar o cinto na economia.

Opositores de esquerda pediram um inquérito do Congresso sobre o papel de Temer na polêmica, com alguns até mesmo chamando para seu impeachment.

Embora isso seja improvável, o novo escândalo irá minar ainda mais a reputação de um presidente impopular e alimentar a incerteza política que poderia atrasar uma recuperação que já está levando mais tempo do que o esperado.

Apartamento de luxo

A última crise de corrupção veio à tona depois de notícias divulgadas na ultima quinta-feira (26), de que Calero havia dito à polícia federal que Temer pressionou-o para resolver uma disputa com Vieira Lima.

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O impasse envolveu uma licença para a construção de um edifício de luxo à beira-mar em que Vieira Lima havia comprado e que precisava de aprovação por uma agência do ministério da cultura, porque seria construído em um distrito de preservação histórica na cidade de Salvador.

Depois que o Ministério Público do Brasil disse estar estudando uma possível investigação do caso, um assessor presidencial disse à Reuters no início da sexta-feira que a situação de Vieira Lima se tornou insustentável.

Adicionando combustível para a crise, o jornal O Estado de São Paulo jornal informou que Calero gravava secretamente suas conversas com Michel Temer e Vieira Lima para apoiar o seu caso. O projeto de construção de 30 andares já tinha sido negado devido uma licença em terrenos históricos de preservação.

Uma fonte da Polícia Federal com conhecimento das declarações disse que Calero havia dito à polícia que Temer lhe disse na semana passada que a recusa da permissão criara "dificuldades operacionais para seu governo" e que iria encontrar uma solução com advogados do governo. #Crise-de-governo