Quando o primeiro turno da eleição municipal deste ano terminou, em #Belo Horizonte, a vitória do candidato do PSDB, João Leite, parecia certa. O que pouca gente imaginava é que a vantagem de quase sete pontos percentuais sobre o ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil (PHS), seria dissipada em menos de um mês, tempo suficiente para uma virada históricaa primeira registrada em um segundo turno, na capital mineira. Com quase 53% dos votos válidos, Kalil não só tirou a desvantagem de 81.100 eleitores que teve na primeira fase da votação, como acrescentou outros 70.800 votos na conta de João Leite. Mas o que estaria por trás da derrocada do tucano?

Ao que tudo indica, uma simples fotografia.

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Apenas um dia depois do encerramento do primeiro turno, lideranças do PMDB se apressaram em embarcar na campanha de João Leite. A ala peemedebista foi encabeçada pelo deputado federal Rodrigo Pacheco, terceiro mais votado no primeiro turno, e pelo vice-governador Toninho Andrade. Na foto que ganhou as manchetes, no dia 4 de outubro, os sorrisos de quem enxerga no horizonte uma vitória esmagadora emolduravam os rostos de aliados e caciques, entre eles o senador #Aécio Neves. Mas por trás de tanta alegria, a associação da imagem de João Leite à de Aécio parece não ter feito bem para o candidato a prefeito.

A rejeição do eleitor mineiro a Aécio, nas últimas eleições estadual e presidencial, foi flagrante, decisiva e voltou a se fazer sentir. Indicado pelo senador, o candidato ao Palácio da Liberdade, Pimenta da Veiga, foi derrotado no primeiro turno – quanto teve 41,8% dos votos.

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Semanas depois, o próprio Aécio voltou a sentir a reprovação em seu próprio Estado, na derrota para Dilma Rousseff. Não foi um, mas sim dois sinais claríssimos da refutação ao seu nome – afinal, se o tucano tivesse repetido, em casa, o percentual de 64,3% que teve em São Paulo, teria vencido Dilma com 53,3 milhões de votos, se elegendo presidente com uma margem de 525 mil votos sobre a petista.

De volta à eleição municipal do último dia 30, na primeira pesquisa do segundo turno, feita pelo Instituto Paraná, João Leite ampliava para oito pontos percentuais sua vantagem sobre adversário do PHS. Mesmo cenário apurou o Datafolha, que ouviu os eleitores belo-horizontinos uma semana depois, no dia 12, com 36% das intenções de voto para o tucano e 29% para Kalil. Mas apenas uma semana após a fatídica foto do conchavo ganhar a mídia e as redes sociais, o revés já era apontado por todas as consultas ao eleitorado. E elas antecipavam a derrota – sua terceira à prefeitura – do peessedebista.

Virada

Dois dias depois, uma pesquisa do Datatempo já colocava o ex-cartola à frente de João Leite na disputa, com quase 34% das intenções de voto.

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Ibope e Datafolha se alternaram em mais cinco pesquisas, apuradas entre os dias 20 e 29 de outubro. Em todas elas, Kalil figurou sempre em primeiro, abrindo até seis pontos percentuais de vantagem sobre o tucano – a maior margem foi apurada há 10 dias do segundo turno, com 41% das intenções de voto para o candidato do PHS, contra 35% do peessedebista.

Ao final, a vitória de Kalil, com 42,2% do eleitorado (53% dos votos válidos), já era mais do que aguardada.

Enquanto o futuro do ex-cartola à frente da Prefeitura de Belo Horizonte é uma incógnita até para quem tem bola de cristal, as próximas eleições surgem como grande desafio para João Leite e Aécio. Enquanto primeiro terá que se esforçar para conseguir emplacar mais um mandato como deputado estadual (suas votações vêm caindo de 94.656 votos, em 2006, para 84.316 votos, em 2010, e 63.623 votos, em 2014), o segundo pode ficar de fora da chapa tucana que tentará a presidência, em 2018, e até mesmo perder em um provável pleito ao governo de Minas Gerais, já que sua curva descendente aponta para um eleitorado em franco declínio. #Eleições 2016