O presidente Michel #Temer vive seu momento mais conturbado desde que assumiu a presidência da República, em maio deste ano, ainda como interino. Depois do escândalo envolvendo seus ex-ministros da Cultura e da Secretaria do Governo no caso da obra embargada na Bahia e de ter sido acusado de participar do episódio, parece que Temer quer tomar medidas mais populares.

Na sexta-feira, 25, reunido com interlocutores em São Paulo ele afirmou que, caso a anistia ao caixa dois eleitoral seja votada e aprovada pela Câmara dos Deputados, ele vetará a medida. A informação é da colunista da Folha, Mônica Bergamo.

A anistia tem provocado polêmica e revolta, não só da população, mas de políticos e outras figuras de destaque, como o juiz Sérgio Moro, da #Lava Jato, e a advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do Impeachment de Dilma Rousseff.

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Anistia ao caixa 2

A anistia faz parte do texto do pacote de medidas anticorrupção que foi enviado ao Congresso em março pelo Ministério Público. Desde então, uma comissão especial ouviu especialistas, debateu o projeto e fez mudanças no texto.

O pacote contra a #Corrupção define a tipificação do crime de caixa 2 eleitoral, além da punição de políticos e partidos envolvidos. O texto também enquadra a prática de lavagem de dinheiro com objetivos políticos, foco de investigação da Lava Jato. Assim, a alteração do texto prevendo anistia aos crimes citados cometidos antes da aprovação da medida interessa diretamente aos políticos investigados na operação comandada por Moro.

O pacote de medidas foi aprovado na comissão especial na última quarta-feira, 23, e seria votado em plenário na quinta, 24, mas a votação acabou sendo adiada para a próxima terça-feira, 29, depois da polêmica que gerou.

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Caso Geddel

O agora ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, afirma que Geddel Vieira Lima, então Ministro da Secretaria de Governo, o pressionou para voltar atrás na decisão do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) de barrar um empreendimento imobiliário de luxo em Salvador, na Bahia. Geddel é proprietário de um apartamento no local em questão.

Depois de renunciar ao cargo, Calero disse em depoimento à Polícia Federal que foi pressionado pelo próprio presidente Michel Temer para que resolvesse a situação, e que também sofreu pressão de Geddel, do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e de outros ministros. Ele também disse ter gravado conversas sobre o assunto com Temer, Padilha e Geddel. Agora o Supremo Tribunal Federal precisa autorizar a abertura da investigação para que a Polícia Federal faça a perícia e analise as gravações.

O presidente se defendeu dizendo que queria evitar um conflito entre os ministros, mas agora a oposição quer entrar com um pedido de impeachment de Temer, alegando crime de responsabilidade, que prevê como crime "servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua".