Como destacaram veículos de comunicação nacionais e internacionais, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, do PMDB, foi preso acusado de estar no topo de um esquema de corrupção que sangrou os cofres do Estado.

De acordo com a Polícia Federal e com os promotores do Ministério Público Federal, o político recebia mesadas das construtoras Andrade Gutierrez e da Carioca Engenharia. Essas e outras denúncias constam da operação Calicute, deflagrada nesta quinta-feira (17).

O ex-governador foi classificado como o comandante da Organização Criminosa e beneficiário de uma vida luxuosa, com direito a lanchas avaliadas em R$ 5 milhões e até helicóptero.

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Para se ter uma ideia do nível de corrupção entranhado na relação do governo do Estado com as construtoras, Cabral teria presentado a esposa, Adriana Ancelmo, com um anel de brilhantes, avaliado em R$ 800 mil, pago pela construtora Delta, como parte da propina por contratos em obras no Rio.

O empresário Fernando Cavendish, dono da construtora, também já havia relatado, no mês passado, que presenteou o governador com um veículo Ford Ranger.

Além disso, Cabral é apontado como o destinatário de mesadas pagas por pelo menos duas construtoras: Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia. Da primeira, a quantia paga era de R$ 300 mil, pelo menos. As propinas teriam custeado algumas benesses, tais como móveis de luxo, mini-buggies e seis vestidos de festa para a ex-primeira-dama.

A decisão que autoriza a prisão de Cabral contém 124 páginas.

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Nela, o juiz federal Marcelo Bretas decretou o bloqueio de contas e de bens de Cabral, inclusive a lancha e o helicóptero. Imóveis dos demais acusados e de 44 empresas também foram bloqueados.

O magistrado chegou a citar que o Brasil pode estar diante de um caso emblemático de “traição eleitoral”. E ressaltou ainda que a falência do Estado do Rio de Janeiro, recentemente caracterizado como em calamidade pública, agora recai aos servidores públicos, vítimas, junto com a população, do chamado custo-corrupção, que tanto corrói os orçamentos públicos.

O prejuízo estimado com os desvios recorrentes de propinas em contratos de obras do Estado é de mais de R$ 220 milhões.

Ainda, dentro da mesma operação, que contou com elementos da Lava Jato, foram expedidos mais oito mandados de prisão preventiva e dois mandados de prisão temporária. Ainda foram registrados 14 mandados de condução coercitiva. #Política #Crime #Eleições 2016