Nos últimos dias o jornalista Reinaldo Azevedo tem ventilado que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato, será candidato a algum posto político nas próximas eleições. O ponto alto desta tese se deu em um artigo que o jornalista escreveu e publicou na última sexta-feira (4), no Jornal Folha de S. Paulo, em que diz que o juiz tem feito militância fora dos tribunais no intuito de se lançar como opção #Política no próximo pleito.

No dia seguinte o Jornal O Estado de S. Paulo publicou uma entrevista em que Moro rebate veementemente todos os rumores e boatos. Ele diz que é um homem da magistratura e não da política, embora não reconheça nenhum demérito naqueles que optam por representar a população, seja no poder Executivo ou Legislativo.

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Ser candidato foi uma hipótese rechaçada na entrevista pelo magistrado com a frase “não existe jamais esse risco”. Moro ainda analisou que os casos da Lava Jato dizem respeito à qualidade da nossa democracia ao demonstrar a corrupção sistêmica que assola o país. Considerou importante para aperfeiçoar essa democracia algumas medidas, como a restrição do foro privilegiado a talvez apenas os presidentes do Judiciário, Executivo e Legislativo.

Lembrou da importância de criminalizar o Caixa 2 e disse que todo esse tempo apenas tem cumprido sua função como juiz. Moro se disse chocado com a dimensão dos fatos que encontrou e também com a naturalização da corrupção, citada por agentes políticos eleitos, agentes públicos e também empresários.

Ao ser perguntado se a operação tem o poder de acabar com as práticas corruptas no Brasil, Moro respondeu negativamente.

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Para o magistrado, é imaturo pensar que existe uma salvação nacional, ou um indivíduo capaz de  sozinho salvar a nação. Mas vê nesse passo uma oportunidade de aperfeiçoar a qualidade das instituições democráticas.

Lembrou ainda que o Brasil já confrontou desafios de natureza grave antes e que é possível superar mais este. Sobre o efeito explosivo das futuras delações do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o juiz alegou que nem mesmo essas revelações têm o poder de parar o Brasil. Para ele, o que mais gera instabilidade não é lutar contra a corrupção e, sim, a impunidade diante dela.