Enquanto o mundo lamentava a tragédia ocorrida com o elenco da Chapecoense e alguns jornalistas, que se dirigiam a Medellin, na Colômbia, para o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, na Câmara dos Deputados, em Brasília, era aprovada uma série de mudanças no pacote de combate contra a #Corrupção apresentado pelo Ministério Público Federal. Ao longo da sessão, que se encerrou na madrugada desta quarta, os constituintes, mesmo desistindo da inclusão da anistia do caixa 2, retiraram medidas consideradas essenciais e incluíram outras polêmicas.

A primeira das medidas implantadas foi a de punir magistrados, promotores e procuradores em casos de abuso de autoridade de poder.

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Essa emenda, que recebeu 313 votos favoráveis, é encarada, por parte dos membros da Operação Lava-Jato, como uma forma de retaliação, uma vez que muitos, dos quais aprovaram tal mudança na lei original, são alvos de investigação por crimes de corrupção na Petrobrás.

Outra inclusão controversa, esta patrocinada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é a possibilidade de se punir policiais, magistrados e integrantes do Ministério Público que supostamente violarem o direito ou prerrogativa de advogados.

Entre as medidas retiradas, destacam-se a que propunha criar a "figura do bem", ou seja, inserir um delator sem qualquer participação no esquema de corrupção, mas que teria a possibilidade de revelar todas as informações as quais tinha conhecimento, tendo, nesse caso, o direito de receber 20% do valor recuperado.

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Também foram excluídas a previsão de dar mais poder ao Ministério Público em acordos de leniência com pessoas físicas e jurídicas e a responsabilização dos partidos e de seus dirigentes em atos cometidos por políticos filiados às siglas,

Segundo o relator do projeto, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), todas essas mudanças reduzirá sensivelmente a ação da Lava-Jato no combate à corrupção.

"O objetivo inicial do pacote era combater a impunidade, mas isso não vai acontecer porque as principais ferramentas foram afastadas e, com um agravante, que foi essa intimidação dos investigadores", declarou o político à versão eletrônica do jornal 'O Estado de São Paulo'.

Em relação ao texto original, permaneceram a criminalização do caixa 2 de campanha eleitoral, o aumento da punição para comprovação de casos de corrupção (podendo chegar até 10 salários mínimos), a obrigatoriedade de haver a transparência na divulgação de dados processuais por parte dos tribunais e limitação de recursos para se protelar processos e ação popular. #Lava Jato #Política