Danielle Dytz da Cunha, publicitária e filha de #Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deu seu depoimento para a força-tarefa da operação #Lava Jato em abril deste ano, quando o pai ainda era deputado e já era réu no Supremo Tribunal Federal, mas só agora o depoimento se tornou público.

A publicitária declarou que não sabia o motivo para seu pai, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, ter lhe dado um cartão de crédito internacional na época em que ela morou fora do Brasil, apesar dela já possuir um cartão nacional com um limite de gastos de R$10 mil.

Gastos no exterior

Segundo Danielle, ela recebeu o cartão internacional de Cunha com o objetivo de pagar as despesas de sua estadia entre 2011 e 2013, quando morou no exterior.

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Nesse período, ela fez MBA na Espanha e posteriormente trabalhou na Alemanha e nos Estados Unidos. Danielle afirma ter usado principalmente o cartão estrangeiro, mas diz que não recebia os extratos e os pagamentos eram autorizados pelo seu pai.

A filha de Cunha ainda afirmou que sabe quanto um deputado federal ganha, mas que acreditava que o dinheiro utilizado para bancar os gastos e manter o alto padrão de vida de sua família tinha origem no patrimônio da atividade que seu pai desenvolvia antes de ser eleito.

Ela afirmou que, mesmo quando era casada e tinha uma renda mensal entre R$5 e R$10 mil, ainda era dependente financeiramente do pai e que ele sempre foi o responsável por gerenciar sua vida financeira.

Lava Jato

O cartão de crédito internacional usado por Danielle Cunha estava associado à Köpek, offshore que recebeu dinheiro da propina destinada ao deputado federal Eduardo Cunha no esquema de #Corrupção na Petrobrás.

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De acordo com as investigações, os recursos dessa conta pagaram os estudos da publicitária.

A offshore pertence à esposa de Cunha e madrasta de Danielle, Cláudia Cordeiro Cruz, e não era declarada às autoridades brasileiras, tendo sido descoberta com o auxílio de investigadores da Suíça. Cláudia se tornou ré na Operação Lava Jato sob a acusação de lavagem e evasão de U$1 milhão na conta Köpek.

A própria defesa de Danielle solicitou que ela depusesse em uma investigação sobre a atuação de João Augusto Henriques, lobista do PMDB, na Petrobrás, realizada pela Procuradoria da República. Seu depoimento, somado às provas obtidas sobre as contas da família no exterior com auxílio do Ministério Público da Suíça, levaram a Lava Jato a abrir uma investigação sobre a filha de Cunha para apurar se ela teve envolvimento na lavagem de dinheiro do esquema de corrupção na Petrobrás

Como o pai, agora preso, e a madrasta são os titulares das offshores descobertas pela força-tarefa, a defesa de Danielle defende que ela era apenas a “detentora” do cartão e que não tinha nenhum controle sobre a conta Köpek.