O ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, decidiu entregar sua carta de renúncia no final da manhã desta sexta-feira, ao presidente Michel #Temer (PMDB). O pedido de demissão foi motivado pelas denúncias de tráfico de influência exercido por Lima, para liberar um prédio em Salvador, embargado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no qual ele teria adquirido um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.

O pedido de demissão foi enviado por email ao presidente, após o problema envolver o nome do próprio Temer e o do ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil.

A demissão chega menos de 24 horas após um depoimento do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, à Polícia Federal, mostrar que o presidente e o ministro Padilha o pressionaram para que resolvesse o impasse envolvendo a construção do edifício La Vue, em área tombada pelo Iphan, em Salvador, intercedendo, os dois, diretamente em favor de #Geddel Vieira Lima.

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Na carta enviada ao gabinete da Presidência, Geddel diz que se decidiu pela demissão após “a dimensão das interpretações dadas ao episódio” e do “sofrimento dos meus familiares com a repercussão do caso”. Ele é o sexto ministro do Governo a Temer cair.

Ao final, o político baiano afirmou que sua decisão foi resultado de “profunda reflexão” e que continuará sendo um “ardoroso torcedor” da atual administração.

Toda a crise envolvendo Geddel Vieira Lima teve início com uma entrevista do ex-ministro Marcelo Calero, ao jornal Folha de São Paulo, em que revelou a pressão de Lima para que o prédio de Salvador fosse liberado pelo Iphan, vinculado ao Ministério da Educação.

Sem pressão

O prédio, cujo projeto original era de 30 andares, só poderia, segundo o parecer preliminar do Iphan, ser construído com 13 níveis.

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Geddel havia comprado um dos apartamentos mais altos, o que explicaria sua pressão para que a obra fosse feita na configuração inicial.

Geddel chegou a negar qualquer pressão, mas reconheceu que havia mantido conversas com Calero para tratar de assuntos referentes à obra.

Michel Temer fez o mesmo. Por meio de nota disse que falou por duas vezes com o ex-chefe da Cultura sobre a divergência com Geddel, mas que em momento algum determinou que o Iphan retirasse o embargo.

O presidente afirma ainda que foi sugerido que o caso fosse levado à AGU (Advocacia Geral da União), órgão que teria "competência legal para solucionar eventuais dúvidas entre órgãos da administração pública".

Leia na íntegra da carta de demissão do ministro:

"Meu fraterno amigo presidente Michel Temer,

Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair.

Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso.

Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo.

Retornando à Bahia, sigo como ardoroso torcedor do nosso governo, capitaneado por um presidente sério, ético e afável no trato com todos, rogando que, sob seus contínuos esforços, tenhamos a cada dia um país melhor.

Aos congressistas, o meu sincero agradecimento pelo apoio e colaboração que deram na aprovação de importantes medidas para o Brasil.

Um forte abraço, meu querido amigo.

Geddel Vieira Lima"