Já faz algum tempo que o Brasil aparenta ter deixado de ser um Estado laico, quebrando o que reza a Constituição brasileira, a qual frisa que o país não deve se submeter a uma única #Religião, ou ainda que determinada religião não pode ser considerada a oficial do Estado, assim como o catolicismo o é no Vaticano; o islamismo no Irã ou o judaísmo em Israel. A opinião que é compartilhada por muitos especialistas políticos ou observadores comuns é de que o governo do presidente Michel Temer fez e faz alianças políticas com líderes religiosos de peso, os quais conduzem os seus fieis no verdadeiro processo de curral eleitoral, influenciando decisivamente nos destinos políticos das principais capitais brasileiras.

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Tanto é assim que quando Temer assumiu o poder no Planalto Central, recebeu a visita do polêmico pastor evangélico Silas Malafaia, que foi ao local sob a alegação de que iria orar com Temer pelo Brasil. E por falar em Malafaia, ele que é presidente do grupo religioso protestante da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no último dia 30 de outubro, domingo, acabou deixando de cumprir o seu papel de conciliador ou de um líder religioso de “temperamento brando”, na medida em que o mesmo registrou frases calorosas e partidárias de apoio a Marcelo Crivella (PRB) como o novo prefeito da Cidade do Rio de Janeiro.

Malafaia postou tudo na sua rede social do Twitter, escrevendo citações tais como: "Parabéns Cristãos" e "Crivella venceu a intolerância, preconceito, manipulação jornalística, e o melhor, a esquerda comunista".

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O motivo de tanta euforia, que de neutralidade religiosa não tem nada, é que Crivella, bispo da IURD - Igreja Universal do Reino de Deus (o mesmo encontra-se licenciado de seu cargo religioso) sobrepujou a Marcelo Freixo (PSOL) na disputa pela prefeitura carioca.

As críticas de Malafaia contra o PSOL foram contundentes e baseadas em palavras que caracterizavam a divisão sectária da sociedade com a seguinte expressão do pastor: “kkkkkkk ajudei a derrubar todos os candidatos do PSOL, perderam todas! Pede o at gay para ajudar mais um pouco kkkkkkkkk muito kkkkkkkkkkkkkk”.

Marcelo Crivella, que é sobrinho de Edir Macedo, o principal fundador da IURD, conquistou 59% dos votos úteis frente aos 40% de Marcelo Freixo. E não foi por pura coincidência que Crivella pôde contar com o apoio massivo de grande parte dos evangélicos da Cidade do Rio de Janeiro. Malafaia e Edir Macedo nunca estiveram em lados idênticos no mundo da #Política, mas contra o PSOL nas eleições, tudo isso mudou rapidamente, vide a comemoração do pastor da Assembléia de Deus pela vitória de Crivella. 

Sendo assim, o envolvimento explícito dos líderes religiosos na política do Brasil sugere claramente que talvez esse mesmo país já não trate mais as religiões com tanta imparcialidade, apartando os seus cidadãos de sofrerem a influência dessas religiões e de seus representantes nos mais diferentes segmentos da vida diária. #Eleições 2016