Na tentativa de amenizar a crise que ameaça balançar o seu governo, o presidente #Michel Temer concedeu uma entrevista coletiva neste domingo para tentar esclarecer a polêmica envolvendo os seus ex-ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e #Marcelo Calero (Cultura). Temer esteve ao lado do presidente do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia.

A crise teve início no último dia 18, quando Calero oficializou o seu pedido de demissão ao alegar que estava sendo pressionado por Geddel para que o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (#IPHAN) - órgão subordinado à Cultura - liberasse um empreendimento em Salvador (BA) no qual o ex-ministro da Secretaria de Governo tinha um apartamento.

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Geddel, que pediu demissão na última sexta-feira, admitiu que conversou com Calero sobre o tema, mas negou ter feito "pressão".

Ainda como ministro em exercício, Calero solicitou audiências com Temer para tratar da postura de Geddel, que estaria se beneficiando do cargo para fins pessoais. Informações dão conta de que o ex-ministro da Cultura teria gravado a audiência com o presidente, que demonstrou irritação com essa postura na coletiva deste domingo.

"Com toda a franqueza que vocês conhecem, eu penso que gravar clandestinamente uma conversa é sempre algo desarrazoável, quase indigno. Eu diria mesmo que é indigno", criticou Temer, sentado entre Renan Calheiros e Rodrigo Maia.

No entanto, Temer se mostrou tranquilo com relação às possíveis gravações do ex-ministro. Ele se manifestou a favor de que os áudios possam logo se tornar de conhecimento público.

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Em depoimento à Polícia Federal, Calero disse que foi "enquadrado" por Temer a buscar uma "saída" para o caso do apartamento de Geddel no empreendimento imobiliário em Salvador embargado pelo IPHAN - subordinado à pasta da Cultura. A investigação já em curso da PF agita também a oposição, que deve entrar com um pedido de impeachment nesta semana.

"Olha, se ele de fato gravou, eu espero que em breve essa gravação venha à luz. Os senhores já me conhecem e sabem o quanto sou cuidadoso com as palavras. Portanto, não diria algo inadequado", garantiu o presidente.

Temer também revelou que foi procurado por Calero durante um jantar com senadores para tratar do "tema Geddel". Em sua defesa, o presidente garante que não fez nada mais do que "arbitrar conflitos" - tese já antes dita e divulgada por Alexandre Parola, porta-voz da presidência, na semana passada.

"O que fiz neste caso foi arbitrar conflitos, e arbitrar conflitos não é uma coisa que estou fazendo apenas agora na presidência da República.

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A coisa que eu mais fiz foi arbitrar conflitos", disse.

Para evitar que novos casos dessa natureza ocorram, Temer revelou à imprensa que estuda uma maneira de passar a gravar todas as suas audiências. Desta forma, tudo estaria documento e disponível à sociedade, evitando rumores e boatos como os que derivam da denúncia de Marcelo Calero. Junto ao Gabinete de Segurança Institucional, o presidente garantiu que examinará o quanto é viável ir adiante com essa hipótese.