Membros do Ministério Público Federal (#MPF) ficaram muito descontentes com a nova proposta da Câmara dos Deputados, sobre a lei de Abuso de Autoridade que promete punir juízes e promotores. Nesta quarta-feira (30), os procuradores responsáveis pelas investigações da #Lava Jato, operação investiga grandes nomes da sociedade, ameaçaram pedir renúncia coletiva se essa lei realmente for sancionada.

Em entrevista coletiva, um dos procuradores e também coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, foi bem claro ao dizer que caso o presidente da República Michel Temer sancione a lei, os procuradores renunciarão e voltarão a exercer outras atividades como servidores públicos, mas não na operação Lava Jato.

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A Procuradoria-Geral da República (PRG) foi o órgão responsável por dar início as investigações da Lava Jato, caso os procuradores abandonem a operação, outros membros poderão ser selecionados para atuar, ou até mesmo acabar com a operação.

Procuradores apontam que os culpados por essa ação vão ser líderes partidários e membros do governo de Michel Temer, eles dizem também que investigar nomes poderosos se tornará algo arriscado.

Deltan Dallagnol, procurador da República, avaliou que os deputados fizeram a ação propositalmente, pois sabiam de seus atos, ele também diz que as propostas aprovadas beneficiam os crimes de corrupção. Dallagnol citou o governo de Dilma Rousseff, que ao seu parecer, aprovou emendas que foram mais benéficas para casos de #Corrupção do que o atual governo de Temer.

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Em suas palavras, Dallagnol avaliou que o atual momento representa o "golpe mais forte contra a Lava Jato".

A forma como os deputados representaram as medidas propostas pelo MPF, para os procuradores entende-se como uma reação de preservação, caso Temer sancione a lei, as consequências destinariam ao fim da Lava Jato. O MPF afirma que o desejo da sociedade não é o que aconteceu na Câmara, os parlamentares apenas fizeram o que acharam conveniente para ajudar os envolvidos em crimes de corrupção.

Cármen Lúcia

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministra Cármen Lúcia, também se pronunciou nesta quarta-feira, ela foi enfática ao dizer que "pode-se tentar calar o juiz, mas nunca se conseguiu, nem se conseguirá, calar a Justiça". A ministra também avaliou em nota publicada, que a independência do juiz está sendo ameaçada e que isso compromete a democracia da sociedade.