Na última terça-feira (30), o senado brasileiro aprovou a pedra angular de um programa de austeridade que visa colocar as finanças do país em ordem, mas violentos confrontos entre a polícia e manifestantes tiveram destaque em um dia tenso no país.

A câmara alta do senado avançou facilmente a medida de congelar os gastos do governo por 20 anos em um placar de 61 votos à favor contra 14 votos contra o projeto. A medida ainda será submetida a uma segunda votação antes de se tornar lei definitiva.

"Esta emenda constitucional é fundamental para controlar os gastos públicos", disse o senador Renan Calheiros, uma figura chave do PMDB, partido do atual presidente Michel Temer.

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Temer diz que o congelamento será fundamental para uma reforma de pensões e possíveis cortes e afirmou que é necessário para salvar a maior economia da América Latina da falência.

"As pessoas pensam que o dinheiro público não é de ninguém, mas na realidade ele pertence a todos nós e não podemos gastar mais do que coletamos", concordou o senador José Reguffe.

Mas cenas de violência fora do Senado em Brasília sublinharam medos em alguns setores que acreditam que austeridade só irá piorar as condições, em uma sociedade que já sofre de uma profunda recessão econômica.

Como multidões de manifestantes convergiram com o legislador, à polícia disparou granadas bombas de efeito moral e gases lacrimogênios. Esquadrões de oficiais, ocasionalmente, bateram e chutaram manifestantes isolados.

Alguns manifestantes atiraram objetos contra a polícia, viraram um carro e colocaram fogo em pelo menos dois outros.

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Janelas foram quebradas em vários ministérios.

Espessas nuvens de gás lacrimogêneo, eventualmente, afastou a multidão, estimada pela polícia em 10.000 pessoas, porém pequenos grupos continuaram a enfrentar as forças de segurança, jogando para trás bombas de gás lacrimogêneo e tentando bloquear uma avenida.

As tensões ocorreram em meio ao luto nacional depois de um acidente de avião, ocorrido na última segunda-feira (28), na Colômbia, que matou grande parte da equipe de futebol do Chapecoense e 20 jornalistas brasileiros, que estavam entre as 70 pessoas que morreram no trágico acidente.

Na Câmara dos Deputados, os deputados se preparavam para votar uma controversa lei anticorrupção. A lei iria endurecer as penas para fundos de campanha ilegais, um grande problema no Brasil.

No entanto, houve alvoroço na semana passada quando deputados tentaram mudar o texto para incluir o que teria ascendido a uma anistia para todos os políticos que aceitaram fundos de campanha ilegais até agora.

Em face da crescente pressão da opinião pública, Temer anunciou que iria vetar uma lei como essa.

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Mas o episódio só aprofundou a desconfiança dos políticos brasileiros.

Temer chegou ao poder este ano após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Temer disse que tem um mandato para mover o Brasil longe de políticas de esquerda de Dilma, mas os adversários o acusam de falta de legitimidade.

Os números recentes do desemprego indicam que 12 milhões de pessoas estão fora do trabalho, cerca de 11,8% da população brasileira.

A economia encolheu 3,8% em 2015 e estimativas de mercado estão apontando para uma nova queda de quase 3,5% em 2016, com um crescimento fraco no próximo ano. #PEC 55 #Michel Temer #Política