O comandante maior da Operação Lava Jato e o principal ícone da população brasileira na luta contra o combate à corrupção, o juiz federal Sérgio Moro decidiu (após dois ano e meio de #Lava Jato) abrir seu gabinete no prédio da #Justiça Federal de Curitiba e receber a reportagem do jornal “O Estado de São Paulo” e conceder uma entrevista. A conversa durou cerca de uma hora, e Moro expôs diversas reflexões sobre fatos e acontecimentos da atualidade.

O juiz de 44 anos completou 20 anos de profissão em 2016. Em seu gabinete, pilhas e pilhas de processos se acumulam sobre mesas e armários no espaço amplo em que trabalha.

Moro opinou sobre diversos assuntos e se esquivou apenas da pergunta “capciosa”, se ele já votou em Lula.

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Sobre esse assunto, ele afirmou que “o mundo da justiça e o mundo da política não devem se misturar”.

Lava Jato

Em relação à eficácia da Lava Jato, Sérgio Moro foi enfático. Ele afirmou que o principal objetivo da operação é melhorar a qualidade da democracia, mas que jamais deve ser encarada pelas pessoas como uma operação que irá salvar o país. Sobre a expectativa gerada na sociedade, Moro afirmou que a operação passou a dimensão para a sociedade de que as instituições funcionam e isso, na opinião dele, é algo muito positivo.

Prisões

Sobre as críticas que recebe de que “manda prender para arrancar delações”, Moro afirmou que as prisões da Lava Jato são fundamentadas e que jamais manda prender para arrancar confissões, pois isso, a seu ver, é reprovável do ponto de vista jurídico.

Delação de Eduardo Cunha

Perguntado sobre a provável delação de Eduardo Cunha e sobre o “estrago” que as confissões do ex-presidente da Câmara dos Deputados podem causar na política, Sérgio Moro afirmou que os brasileiros não devem ter receio algum, pois o país já enfrentou problemas e desafios muito maiores no passado e que a corrupção é “apenas mais um desafio a ser vencido”.

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E que nenhuma delação ou prisão é capaz de parar o país.

Voz das ruas

Perguntado sobre a relação da Justiça com as vozes que vem das ruas nas manifestações, Moro afirmou que o poder judiciário atualmente é a instituição que mais respondeu aos anseios da sociedade. Ele disse que nos outros poderes, iniciativas tão significativas não têm sido vistas.

Foro privilegiado

Sobre essa prerrogativa na Constituição, Moro expôs sua opinião de forma direta. Ele acredita que não deve ser extinto o foro privilegiado, mas deve ser restrito aos presidentes dos três poderes. Na visão de Moro, o Supremo Tribunal Federal é uma instituição limitada, com poucos juízes.

“Não que o Supremo não seja eficiente, mas será que o Supremo tem condições de atuar em tantos casos criminais?”

Entrar na política

Questionado pela reportagem se pretende algum dia ser candidato a algum cargo eletivo ou entrar para a política, Sérgio Moro respondeu diretamente, sem pensar, “não, jamais”, pois ele se considera um homem de justiça e que vive outra realidade, outro tipo de trabalho, e que de forma alguma, existe esse risco.

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  #Sergio Moro