Na mais longa entrevista concedida desde que assumiu a presidência da República, #Michel Temer não procurou fugir de nenhum tema diante dos jornalistas que o sabatinaram para o programa Roda Viva, da TV Cultura, gravado na última sexta-feira e exibido nesta segunda para todo o Brasil. O peemedebista comentou a situação do presidente #Lula, denunciado recentemente dentro do âmbito da Operação #Lava Jato por crimes como corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro.

Para Temer, uma eventual prisão de Lula não seria positivo para o país. Ele mantém a opinião especialmente pela força de Lula perante os movimentos sociais, que fatalmente retornariam em peso às ruas em defesa do seu maior líder.

Publicidade
Publicidade

O atual presidente da República entende que uma prisão ou uma condenação do principal dirigente do PT traria "instabilidade política" ao Brasil.

"Se algum de vocês me perguntar algo nesse sentido: "Se o Lula for preso, isso causará prejuízos ou problemas para o governo?". Eu responderia que sim, que causaria. Não especificamente para o governo, mas para o país como um todo. Isso porque, evidentemente, haverá a manifestação dos movimentos sociais. E quando estes movimentos se voltam contra uma decisão do Judiciário, isso pode acarretar em instabilidade política, sim", comentou Temer.

No dia 20 de setembro, o juiz federal Sergio Moro aceitou na íntegra a denúncia do Ministério Público que apontou Lula como beneficiário de três contratos da empreiteira OAS com a Petrobras e pagamento de propina de R$ 3,7 milhões.

Publicidade

O processo contra o ex-presidente tramita na Justiça Federal do Paraná e receberá audiências de acusação entre os próximos dias 21 e 25 de novembro. Dentre as testemunhas que serão ouvidas, destacam-se o ex-senador Delcídio Amaral, o doleiro Alberto Yousseff e o ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró.

"Por mais que eu venha descrever aqui para vocês a mudança que o governo está fazendo para manter a integridade do país, recuperar a economia, as relações sociais... quando surge alguma noticiazinha dessa natureza, isso gera uma imensa instabilidade no governo. Então imaginem essa hipótese de prenderem Lula. Foi duas vezes presidente, sem dúvida pode criar problemas", ampliou Temer.

Embora reconheça que a possibilidade de prisão de Lula possa trazer prejuízos ao governo e ao país, Temer não manifestou "torcida" a favor da absolvição ou da condenação do tradicional dirigente do PT. Para o atual presidente brasileiro, as acusações contra Lula devem ser "processadas com naturalidade".

Publicidade

Sobre a Operação Lava Jato, Temer refutou aos jornalistas que as investigações tenham a capacidade de "paralisar" o país ou as ações do governo. O presidente chegou a dizer durante a entrevista: "A primeira coisa que eu gosto de sugerir é: vamos deixar a Operação Lava Jato trabalhar em paz". Temer, por fim, se defendeu da acusação do cheque de R$ 1 milhão da Andrade Gutierrez, que, segundo ele, veio do diretório nacional do PMDB para a sua campanha de vice em 2014, e não com recursos desviados da Petrobras.