Walter Gomes (PTB) é o ex-presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, São Paulo, denunciado por corrupção ativa e recebimento de propina, que tentava viajar para Cancún, em janeiro do ano que vem. A Justiça negou o pedido feito pelo ex-vereador de sair do país, mas o advogado de defesa Júlio César Mossin afirmou que vai recorrer da decisão. Segundo constou na deliberação do Juiz, ele estaria proibido de sair do território nacional sob a suspeita de usar a viagem para fugir ou esconder dinheiro em contas no exterior. A mulher do ex-presidente, já havia inclusive realizado uma reserva de hospedagem em um hotel de luxo, para a data que ia de sete a dez de janeiro.

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A reserva foi feita no dia 31 de agosto, um dia antes de a Operação Sevandija ser deflagrada e prender o acusado. A hospedagem custaria US$ 594, o equivalente a 2050 reais. No entanto, na semana passada no dia 11 de novembro, o juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira indeferiu o pedido.

Ao todo, a Operação Sevandija realizada pela Polícia Federal realizou mandados de condução coercitiva para nove vereadores de Ribeirão Preto, que foram obrigados a prestar depoimentos para esclarecer as suspeitas de corrupção. Todos os ex-vereadores foram afastados de seus cargos, tiveram os passaportes apreendidos e estão proibidos de deixar Ribeirão sem autorização policial, não podem também entrar em prédios públicos. Todos tiveram seus salários suspensos por determinação da presidente interina, Gláucia Berenice (PSDB), até segunda ordem.

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Walter teria sido o único a ter um pedido de viagem negado pela justiça, cinco dos outros nove acusados conseguiram sair da cidade em um período pré-determinado. O ex-secretário de Educação Ângelo Invernizzi Lopes, conseguiu, por exemplo, ir para São Paulo das vezes para realizar reuniões com seu advogado. Ao ex-secretário da Casa Civil Layr Luchesi Junior, foi permitido viajar com a esposa, a filha e os pais para Recife, de 31 de outubro a 7 de novembro. Todas essas decisões também foram tomadas pelo mesmo juiz que não concedeu a autorização a Walter.

Sevandija foi deflagrada em 1º de setembro e prendeu onze pessoas inicialmente por suspeita de participação em contratos de licitação fraudulentos que desviaram cerca de 203 milhões da Prefeitura de Ribeirão nos últimos oito anos de governo. Outros dezessete mandatos de ação coercitiva foram expedidos pela justiça, e a prefeita Dárcy Vera (PSD) teve a casa revistada, denúncias contra ela seguem na Procuradoria Geral de São Paulo. Dentre todos os investigados o ex-presidente da câmara municipal foi o único a não conseguir sair de Ribeirão Preto.

#Crime #Investigação Criminal