Poucas vezes um ano foi tão atribulado politicamente no Brasil como 2016. Em uma democracia relativamente ainda jovem, o país viu se consumar o segundo processo de impeachment de sua história. Assim como Fernando Collor de Mello em 1992, #Dilma Rousseff não conseguiu se livrar da força do Congresso Nacional - determinado em tirá-la do cargo a partir de denúncias de descumprimento de leis orçamentárias.

Mas engana-se, e muito, quem pensa que foi somente este episódio que movimentou os corredores do poder. Declarações polêmicas, áudios vazados, crise entre os poderes, Operação Lava Jato e queda de políticos importantes são alguns dos fatos que mais marcaram o ano político brasileiro.

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STF valida rito do impeachment: Uma das primeiras medidas polêmicas do ano foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com o processo de impeachment de Dilma já em curso na Câmara dos Deputados, a Corte se juntou e validou a definição das regras do rito e pavimentou o caminho para a aprovação na Câmara em abril.

#Lula ministro: Brasília entrou em chamas com a decisão do Planalto, em 16 de março, ao nomear Lula como novo ministro da Casa Civil. Para muitos, a opção de Dilma em chamar o ex-presidente era para lhe dar foro privilegiado e evitar uma eventual prisão. Dias depois, o ministro do STF, Gilmar Mendes, suspendeu a nomeação.

"Tchau, querida": Gerou polêmica, também, uma gravação telefônica divulgada entre Dilma e Lula, poucas horas depois do anúncio do ex-presidente na Casa Civil.

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No áudio, Dilma avisa que "Bessias" está indo entregar um "papel". A despedida de Lula gerou memes: "Tchau, querida".

Áudio vazado de Temer: Já rompido com Dilma, sua ex-companheira de chapa, o então vice-presidente #Michel Temer teve um áudio de sua autoria vazado no aplicativo WhatsApp. Em uma mensagem de cerca de 15 minutos, ele ensaiou um discurso de posse como novo presidente. Naquele instante, o peemedebista já parecia convicto de que sucederia Dilma no cargo.

Baixaria na votação da Câmara: Por 367 votos, os deputados aprovaram o impeachment de Dilma, que foi ao Senado Federal. Mas o que marcou a votação do dia 17 de abril foi o nível das declarações dos parlamentares. A maioria justificou o voto pela família, por Deus, pelo povo, etc, e "ignorou" os reais motivos da denúncia contra a presidente. Teve até troca de cuspes: Jean Wyllys acertou o polêmico Jair Bolsonaro, que foi defendido pelo filho Eduardo.

Senado aprova o impeachment: No dia 31 de agosto, o Senado Federal oficializou o impeachment de Dilma Rousseff, oficialmente destituída do cargo.

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A partir de então, Michel Temer deixa de ser interino e passa a comandar a República.

Três presidentes no mesmo dia: Parece até mentira, mas o Brasil chegou a ter três presidentes no mesmo dia. No dia 31 de agosto, Dilma amanheceu no cargo, mas foi deposta horas após. Temer assumiu, mas viajou à China e Rodrigo Maia, novo presidente da Câmara, herdou o cargo.

Cunha, enfim, cassado: Depois de tanto protelar e adiar seu julgamento em plenário, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, perdeu seu mandato na segunda semana de setembro. Dilma considerava Cunha um dos "capitães do golpe" ao lado de Michel Temer, em alusão ao seu impeachment.

Uma bomba chamada Odebrecht: As delações assinadas por ex-integrantes da construtora Odebrecht na Lava Jato têm gerado dor de cabeça em Brasília. De acordo com Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais, Michel Temer teria solicitado 10 milhões da empreiteira em um jantar em Brasília antes das eleições de 2014. Negada pelo Palácio do Planalto, a denúncia estremeceu o núcleo central do governo Temer.

A gravação de Calero: Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, admitiu que gravou conversas com o presidente Temer e outros membros do governo. Ele acabou saindo do cargo, mas "levou junto" Geddel Vieira Lima, ex-secretário geral de Temer. Segundo Calero, Geddel o pressionou para liberar um empreendimento particular em Salvador que era vinculado ao Ministério da Cultura.