De um lado, o discurso veemente e dedicado na defesa do corte dos gastos. Do outro, o "esquecimento" desta política para o seu próprio hábito e consumo. A incoerência de postura do Palácio do Planalto veio a público nesta terça-feira, quando vazou uma licitação de compra de alimentos de alto nível para o avião presidencial. A equipe de #Michel Temer visava adquirir produtos como #sorvete de marcas famosas, sucos, pães, cápsulas de café, sanduíches, etc.

Imediatamente, a repercussão foi negativa. Sobretudo nas redes sociais, os internautas criticaram o abuso dos gastos para uma alimentação secundária e lamentaram que a equipe presidencial abusasse do luxo ao mesmo tempo em que prega o discurso da necessidade da contenção de gastos.

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A rejeição fez Michel Temer recuar e cancelar a licitação horas depois da divulgação da lista dos produtos a serem licitados.

Ao todo, a licitação inicial previa um investimento de R$ 1,7 milhão. Ela seria realizada no dia 2 de janeiro e definiria a empresa responsável por abastecer o serviço de bordo do avião utilizado por Michel Temer e seus assessores em suas viagens. Estava prevista a compra, entre outras coisas, de cinco tipos de sorvetes diferentes e cinco sabores de picolé. Via Twitter, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, informou que houve uma orientação do presidente para que fosse cancelado o edital.

Potes de Nutella e o badalado sorvete da marca Häagen-Dazs eram itens que constavam na lista. Para se ter uma noção prática do custo que isso geraria, o Planalto estaria gastando R$ 7.500 em 500 potes de 100 gramas cada.

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Água de coco (1,5 mil litros), café expresso (5 mil cápsulas) e uma tonelada e meia de torta de chocolate completariam os itens de luxo visados pela equipe de governo.

Uma outra crítica feita por internautas era que alguns produtos estavam sendo licitados com valor maior do que o apresentado no mercado. O pote de creme de avelã da Nutella, por exemplo, seria comprado por R$ 39,00 na embalagem de 250 gramas. Nas Lojas Americanas, uma das referências nesse tipo de compra, apresenta esse mesmo produto por R$ 20,87.

Outras excentricidades e itens curiosos estavam entre os pedidos pelo Governo Federal, tais como barras de cereais, chocolates de marcas diversas e refrigerantes. Havia também uma referência em especial à tradicional marca de picolés Tablito, valendo R$ 10,50 cada unidade. Produtos oriundos da culinária típica árabe, como esfirras e quibes, não ficaram de fora da relação.

Temer, como de hábito, recuou após se certificar da péssima repercussão entre a opinião pública e enviou um comunicado oficial à imprensa, onde indicou que todos os aviões que servirem ao governo terão reduzidos os preços dos seus serviços de bordo.

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"A determinação é que esse mesmo serviço que vinha sendo realizado anteriormente tenha o seu preço reduzido. Isso também é válido para todas as aeronaves que estiverem à disposição e à serviço do Governo Federal", informa a nota, que diz que Temer recomendou o "imediato cancelamento" do edital assim que retornou de um compromisso em Maceió, Alagoas.