Eliana Calmon, ex-ministra do Superior Tribunal de #Justiça (STJ), comentou, em uma entrevista ao jornalista Ricardo Boechat, que para a delação da empresa Odebrecht ter sentido, será necessário que envolva os magistrados. Segundo a ex-ministra, não se pode levar a sério uma delação tão contundente dos funcionários da #Odebrecht se não aparecerem nomes de juízes envolvidos em escândalos.

Calmon escreveu vários livros. O seu último trabalho tem sido "Receitas Especiais". Ela disse que cria seus pratos por instinto, mas o que está chamando a atenção é o "tempero" que ela está colocando na delação da Odebrecht.

Analisando a incredulidade da ex-ministra, podemos ver que na delação foi lembrado de tudo.

Publicidade
Publicidade

Foi citado o presidente Michel Temer, vários senadores e deputados, ministros e ex-ministros, governadores, vereadores e empresários. Todos os nomes ligados ao Executivo e ao Legislativo. Porém, uma pergunta ficou mesmo no ar: E o Judiciário?.

Arquivo sigiloso

Ainda não se sabe o motivo dos executivos da Odebrecht não citarem membros do Judiciário. Pode ser que eles também não foram perguntados sobre possíveis envolvimentos de juízes.

Segundo algumas informações, pode existir alguns arquivos paralelos e sigilosos sobre o Judiciário, mas tudo está guardado à sete-chaves. Esses meses surgiu um vazamento de informação sobre a participação do ministro José Antonio Toffoli em algum escândalo, mas nada foi apurado ou investigado ou mostrado para a imprensa.

Essas declarações de Calmon podem enfurecer o Poder Judiciário e movimentar mais os depoimentos dos executivos.

Publicidade

STF e Lava Jato

Após voltar aos trabalhos, o Superior Tribunal Federal (STF) voltará a ser protagonista da Operação #Lava Jato.

A primeira decisão polêmica para se discutir em 2017 será sobre a homologação da delação dos 77 funcionários da Odebrecht, sobre a corrupção que envolve muitos partidos e políticos. O relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki está analisando 800 depoimentos.

Fora esses depoimentos, o STF também colocará em pauta assuntos como o aborto para mulheres infectadas com o vírus Zika e a descriminalização do porte de drogas.