O acordo selado que garante um processo de colaboração premiada, entre a empreiteira Odebrecht e a Procuradoria-Geral da República, apresentam novas informações, em relação a pagamentos de propinas oriundas de recursos públicos, atraídos ilicitamente. Dessa vez, a colaboração premiada firmada pela maior empreiteira do país, alcança setores das Forças Armadas, especialmente, a Marinha do Brasil. A colaboração com a Justiça, por parte da Odebrecht, relata através de bastidores, pagamentos que foram efetuados através do Setor de Operações Estruturadas, ou seja, o departamento de distribuição de propinas da empreiteira, com relação ao Programa de Desenvolvimento de Submarino, o chamado "Prosub", da Marinha do Brasil.

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Segundo dados apresentados nas tratativas do acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República, foram mencionados dois pagamentos realizados no exterior, através de offshore, que não poderiam ter aparecido na contabilidade oficial da construtora de Marcelo Odebrecht.

Projeto submarino

Os pagamentos concretizados por meio de propinas, foram efetuados ao empresário José Amaro Pinto Ramos e também ao ex-presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro da Silva. As informações foram obtidas através de delação premiada do executivo Luiz Eduardo Soares, que era funcionário do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o "departamento de propinas" da construtora. O acordo de colaboração foi negociado junto à força-tarefa da Operação Lava-Jato. Segundo as afirmações contidas na delação, o empresário Amaro Ramos, representava os interesses da empresa DCNS, da França.

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Os projetos se tratavam de construção de submarinos nucleares. Os projetos apenas se concretizaram após uma parceria firmada com a França e o orçamento inicial correspondeu à quantia de 6,7 bilhões de euros, o que alcançava aproximadamente, R$ 23 bilhões, de acordo com a cotação atual da moeda européia. A empreiteira Odebrecht havia sido escolhida, sem qualquer processo de licitação. Fizeram parte da operação do chamado "projeto submarino", os executivos Fabio Gandolfo e Benedicto Júnior. Já em relação ao pagamento de propina efetuado ao almirante da Marinha, Othon Pinheiro, a transação financeira foi concretizada por meio de um offshore. Pinheiro foi preso em duas fases da Lava-Jato, devido às acusações de #Corrupção nas obras de Angra 3. Já os pagamentos destinados,através do departamento de propinas da Odebrecht, para Amaro Ramos, ocorreram numa reunião na própria residência do lobista, na capital paulista. Ele seria representante dos franceses no negócio. Amaro Ramos também já esteve envolvido em dois casos de corrupção no Brasil: o cartel de trens do Metrô de São Paulo e o caso Alstom.

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Obra milionária

O chamado "Prosub", se refere à construção do primeiro submarino nuclear do Brasil e foi lançado em 2008, pelo ex-presidente Lula. O projeto foi sobrevalorizado em aproximadamente R$ 406 milhões, e pôde implementar a construção da Base Naval do Estaleiro da Marinha, no estado do Rio de Janeiro, segundo as apurações do Tribunal de Contas da União. Todo o projeto, incluindo a base naval, faz parte do programa brasileiro, em relação à construção de submarinos nucleares. As tratativas de toda a gama de acordos de colaboração que envolve executivos da Odebrecht, como também de executivos da empresa, após a fase de depoimentos dados, ainda necessitam de uma homologação do relator dos processos da Lava-Jato, no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki. #Lava Jato #Petrolão