Nesta última semana, a revista francesa 'Elle' planejou uma tiragem recorde com um editorial que trouxe o desabafo de #Dilma Rousseff, sobre as questões polêmicas de seu afastamento da Presidência da República. A reportagem foi de autoria do jornalista Pierre Morel, que foi até o Rio de Janeiro para gravar uma entrevista exclusiva com a petista, na residência de sua mãe.

Na verdade, Dilma se prontificou em detalhar as razões pela qual foi obrigada a sair do seu cargo. A ex-presidente apresentou-se inconformada com a situação atual e alegou que o fato de ser "mulher" implicou "enormemente" em seu afastamento definitivo, no Congresso Nacional.

Dilma foi categórica ao afirmar que o conluio de "homens da direita conservadora", aqueles que, segundo ela, não conseguiram ganhar as eleições em 2014, são os mesmos que a difamaram perante o povo brasileiro.

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Também foram eles os responsáveis para convencerem os senadores, a votar favorável ao processo de 'impeachment', afirmou a petista.

A ex-presidente ainda sinalizou que todos tiveram culpa da sua queda, utilizou-se de um exemplo para demonstrar a sua insatisfação e as indiferenças que sofreu, Dilma citou: "Todos os estereótipos utilizados contra as mulheres foram usados contra mim", a petista censurou o machismo evidenciando que tudo não passou de um golpe parlamentar.

Dilma confessou que se sentia frágil, mas era totalmente contraditório, um dia apresentava-se forte, em outro já estava sensível. Questionou incansavelmente a sua saída, lamentando que 'tudo caiu por terra', isso é, tudo ficou pior, pois, quando estava na presidência da República, a democracia existia no Brasil, agora foi afetada.

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Falou em retrocesso, manifestou a sua indignação para com o novo #Governo de Michel #Temer, criticando que o atual 'status' da equipe do peemedebista é basicamente composto por "homens ricos e brancos, não é representativo da nossa nação", fazendo um paralelo da sua gestão.

Contudo, a ex-presidente expôs argumentos sobre o estimativo populacional presente no país, demonstrando que 51% da população brasileira são apresentados por mulheres, abrindo um breve parêntese para a comunidade negra.

Perguntada pela revista sobre a época em que viveu a ditadura, Dilma relatou que foi um período muito difícil, lembrando-se do 'pau de arara' (trata-se de uma barra de ferro em que os punhos são amarrados junto à dobra dos joelhos), a barra é colocada entre duas mesas para que a pessoa fique pendurada cerca de 30 centímetros do solo.

No entanto, a ex-presidente revelou que a época das torturas foi essencial em seu aprendizado, ou seja, descobriu que não se deve ficar calada, ademais, prometeu com veemência continuar lutando pelos seus princípios.