A quebra de sigilo do ex-presidente da Câmara dos Deputados, #Eduardo Cunha (PMDB-RJ) revelou e-mails que o político trocou com a filha, Danielle Dytz da Cunha, que também é investigada pela #Lava Jato. Nas mensagens, ela pede que o pai traga produtos do exterior. “Oi Dad (pai, em inglês), mesmo eu indo viajar, infelizmente não tenho cacife para comprar tudo que eu gostaria”, começa ela. Depois, Danielle diz que fez uma “listinha” do que gostaria que ele trouxesse.

Entre os itens, a publicitária pede creme para os olhos, bolsa, roupas, videogame, sapato e óculos. Ela ainda aconselha o pai a comprar uma capa para o celular dele e o orienta sobre a compra de um HD externo.

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A mensagem foi enviada às 16h42, no dia 20 de fevereiro de 2009.

Valores

O creme para os olhos que a filha de Cunha pede não é fabricado pela Clean an Clear, como ela diz, e sim pela Clinique, que cobra 53 dólares para cada embalagem. Como Danielle pediu dois potes do creme, a compra sairia por 106 dólares, ou cerca de 368 reais.

Ela também pede uma bolsa Balenciaga preta, no mesmo modelo que já possui, mas em outra cor. Não dá para saber qual é a bolsa em questão, mas a bolsa “classic city”, uma das mais famosas da marca, custa 1.835 dólares no site americano da Balenciaga, ou seja, mais de 6 mil reais.

Os óculos Ray-Ban Wayfarer, talvez o mais clássico da marca, sai por 150 dólares na internet, ou 520 reais. Já a sapatilha Tory Burch, que também aparece na lista, tem o valor de 175 dólares, pouco mais de 600 reais.

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No fim da lista, ela inclui roupas que gostaria de ter, caso o pai fosse ao outlet, lojas famosas por darem grandes descontos: camisas e um casaco. As “camisas polo da Ralph Lauren para trabalhar” que ela menciona estão em promoção no site da grife, por até 89,50 dólares, valor que convertido sai por 310 cada peça. Já os casacos Burberry podem variar, mas um dos modelos no site da marca sai por pouco mais 2 mil dólares, ou seja, cerca de 7.200 reais! Em um outlet, é possível que essas peças saiam por um preço significativamente mais baixo.

Investigação na Lava Jato

Danielle Cunha é investigada na Lava Jato por ter um cartão de crédito estrangeiro que é associado a offshore Köpek, que está no nome de sua madrasta Cláudia Cruz, também investigada na operação e que é citada no e-mail.

A offshore não era declarada às autoridades brasileiras e só foi descoberta com o auxílio de investigadores da Suíça. A Köpek teria recebido recursos da propina destinada à Eduardo Cunha, ex-deputado federal, no esquema de #Corrupção da Petrobras.