Após sua aposentadoria, Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, vive hoje em São Paulo, onde montou um escritório e promove palestras e pareceres jurídicos. Barbosa acompanhou o impeachment de Dilma, a reviravolta política e os principais escândalos do começo deste ano. Em entrevista, reafirmou que o impeachment de Dilma retrocedeu o país e que tudo não passou de uma encenação, levando o Brasil a uma era de “República de Bananas”.

Os cientistas políticos estabeleceram o conceito de que o presidente é mantido e depende, quase que na sua totalidade, apenas do Congresso Nacional para se legitimar. O presidente deve ter seu governo baseado na expressão de sua vontade em relação a do povo, Barbosa declarou que Dilma não possuía nenhuma destas qualidades, mas #Temer também não as possui.

Publicidade
Publicidade

E disse ainda que o governo Temer é superficial e que, se encarado por grandes manifestações, não resistiria, pois é baseado em relações entre parlamentares que, não são vistos pela sociedade com bons olhos.

Disse ainda que as instituições governamentais vinham se estabilizando e se mantendo sólidas e agora passam por reestruturação, após a intermissão do governo Dilma.

O impeachment

Barbosa disse que um grupo de apoiadores do governo “decidiu” desempossar a presidente, que tudo já estava sendo planejado desde 2015 e que os argumentos da defesa de Dilma não foram levados em consideração, mas apenas direcionados ao interesse de terceiros. Expôs, ainda, que os fatos e argumentos não foram analisados de maneira crítica, lógica e imparcial.

A motivação deste grupo de pessoas contra o governo passado era, basicamente, a de impedir a investigação de crimes graves, praticados por eles.

Publicidade

Este grupo pratica manobras parlamentares de forma rápida e ardilosa e assim, decidiram por destituir Dilma da presidência, limitando as investigações e impedindo que seus nomes viessem à público em grandes escândalos. A elite econômica apoiou o processo perante a alegação da estabilidade no setor financeiro que poderia trazer, porém esta causa não foi suficiente para superar a motivação inicial do afastamento de Dilma.

A sociedade desestabilizou um pilar democrático e esmoreceu a política. Reconhece que o impeachment não foi golpe, mas teve preferências por requisitos exteriores, no caso, a motivação do grupo de pessoas. A evolução que a presidência obteve nos últimos trinta anos foi derrubada com tanta facilidade que, praticamente, anulou toda a história da política.

Além do ato, o desequilíbrio constitucional, a partir da posse de Temer, deu-se o poder ao grupo motivacional do processo, validou as ações criminosas, potencializando um grupo que viola leis para elevar interesses particulares. #JoaquimBarbosa #Dilma Rousseff