Mergulhado em uma crise política sem precedentes, O Brasil termina 2016 repleto de dúvidas quanto ao futuro do governo e suas instituições.

Após terem sido citados em delações premiadas da Operação #Lava Jato o presidente Michel Temer e componentes da cúpula do governo federal, o procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou, na manhã desta segunda-feira (12), o presidente do Senado #Renan Calheiros (PMDB-AL) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia, Renan Calheiros passa a ser réu mais uma vez. O senador já é réu em outro processo, acusado de peculato, o que gerou uma discussão sobre seu cargo de presidente do Senado.

Publicidade
Publicidade

A decisão inédita do STF foi pela manutenção de Renan na presidência, sendo este impedido de substituir o presidente da República, função que deveria ser inerente ao cargo.

Na Operação Lava Jato é a estreia de Renan como denunciado, porém, não deve ser a última vez, pois o senador é alvo de onze inquéritos.

Juntamente com Renan, foi denunciado o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), pelos mesmos crimes.

A acusação

De acordo com as investigações, Renan Calheiros e Aníbal Gomes teriam recebido 800 mil reais em propina, da empreiteira Serveng. A nota da Procuradoria-Geral da República (PGR) diz que a empresa teria com isso assegurada a sua participação nas licitações de obras mais vultuosas da Petrobras. Em troca, os parlamentares garantiam apoio político para manter Paulo Roberto Costa como diretor de abastecimento da estatal e, com isso, facilitar para a Serveng, o que se confirmou a partir de 2010.

Publicidade

As doações teriam sido feitas para o Diretório Nacional do PMDB, pelo diretor comercial da empreiteira Paulo Twiaschor, que também foi denunciado. Depois de chegar ao Diretório, o dinheiro passava para o Comitê Financeiro do PMDB de Alagoas e, a seguir, para Renan Calheiros.

A denúncia, que tem como fonte os depoimentos de figuras mais do que conhecidas nas investigações da Lava Jato, como Delcídio do Amaral, Fernando Baiano e Alberto Youssef, também inclui documentos de quebra de sigilo bancário e registros de entradas dos envolvidos na sede da Petrobras.

Mais do que denunciar pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, a PGR pede a perda das funções públicas de Renan e Aníbal, além da devolução do valor da propina.

Como é de costume, Renan Calheiros se defende alegando que suas contas eleitorais foram aprovadas pelo TSE e que "está tranquilo para esclarecer este e outros pontos da investigação".

O cargo de presidente do Senado, pelo qual Renan tem tanto apreço, expira em 1o de fevereiro. Resta saber se o senador conseguirá se manter a salvo até lá. #Senado Federal