O clima de alta tensão aumenta exponencialmente no Congresso Nacional. Os embates entre Legislativo e Judiciário transformam em uma crise substancial a convivência entre os poderes da República. Um claro exemplo desse momento que permeia a realidade política do país, é a chamada "lei de abuso de autoridade" que está sendo encampada pelo presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e cuja relatoria está nas mãos do senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. O projeto que tem grande probabilidade de que seja votado nesta terça-feira (05), possui um conjunto de medidas que de certa forma, podem "criminalizar" a ação de juízes federais e procuradores que combatem a #Corrupção, segundo membros da força-tarefa da Lava-Jato, além de autoridades do Judiciário e grande parcela da sociedade civil organizada.

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Numa reunião programada para esta segunda-feira, o presidente da República, Michel Temer,através do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, juntamente com líderes dos principais partidos da base de apoio ao #Governo: PMDB, PSDB e DEM, pretendem realizar forte "pressão" para que seja adiada a votação do projeto de lei de abuso de autoridade. A coordenação da operação e dessas articulações, estará com o ministro da Justiça, apoiado pelo presidente Temer.

Forte aliança

A aliança entre Palácio do Planalto, líderes de partidos governistas, Ministério Público e integrantes do Poder Judiciário, pretendem dar um"freio" nas pretensões de grande parte do Senado, sob o comando de Renan Calheiros, que apoia fortemente o projeto de lei de abuso de autoridade. Esse conjunto de medidas é visto pelo juiz Sérgio Moro e por membros do Poder Judiciário e Ministério Público, como uma espécie de "mordaça" ao trabalho desempenhado pelos juízes federais que combatem a corrupção.

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A s grandes manifestações tomaram as ruas do Brasil neste domingo (04), sinalizaram também o enorme descontentamento de parte considerável da população contra o #Congresso Nacional, principalmente contra Renan Calheiros e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ambos apoiam medidas que são vistas como inibidoras do trabalho da Justiça contra a corrupção. Entre os participantes da reunião desta terça, estão membros dos três poderes da República; o ministro da Justiça, líderes partidários, presidentes da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), além do Colégio de Procuradores Gerais dos Ministérios Públicos Estaduais (MPE). A perspectiva é que se trabalhe com o adiamento da votação do projeto em tramitação no Senado, ou mesmo, com a apresentação de um texto alternativo.