Nesta quinta-feira (8), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (#STF), demonstrou indignação com a decisão de seus colegas, que mantém Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do #Senado Federal.

Marco Aurélio Mello foi o autor da liminar que propunha a retirada de Renan do cargo, devido ao fato de que o senador agora é réu em uma ação penal da Corte, acusado do crime de peculato (desvio de recursos praticado por agente público). Há uma decisão prévia, que determina que réus não podem estar na linha sucessória do presidente da República, daí o motivo da liminar. O presidente do Senado é o segundo na linha sucessória.

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O primeiro é o presidente da Câmara dos Deputados.

Na sessão que julgou o caso, ocorrida na quarta-feira (7), Marco Aurélio foi vencido por seis votos a três. O ministro declarou que tinha conhecimento de que seu colega Celso de Mello anteciparia o voto, como forma de influenciar os demais. Inconformado com o resultado, o ministro defendeu sua posição, afirmando que mencionou a responsabilidade do Supremo, mas que pelo que leu na mídia e nas redes sociais, já estava tudo acertado. Para Marco Aurélio, foi feito um "acordão" em favor de Renan, "mas o que importa é o acórdão", disse em tom jocoso, se referindo ao termo jurídico que significa sentença.

Quanto ao resultado da decisão inédita e estranha, que mantém #Renan Calheiros na presidência do Senado sem que possa exercer suas funções plenas, isto é, preside a Casa, mas não pode substituir o presidente da República, o ministro Marco Aurélio entende que é inconstitucional.

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Mais do que isso, a sentença foi de encontro ao que almejava a população, que pedia a saída do senador.

Apesar de haver declarado que o apoio recebido do povo, em relação a sua posição no caso, foi extremamente gratificante, Marco Aurélio expressou preocupação: "Receio que as manifestações passem a ocorrer defronte ao Supremo".

Nem mesmo o ministro entende a proteção a Renan: "Ele é considerado o salvador da Pátria amada", comentou, "se divulgava que sem ele não teríamos as reformas responsáveis", referindo a delicada situação econômica do país.

"Pelo menos o presidente (Renan), não vai chamar o Supremo de Supremeco", ironizou o ministro.

Feliz com a decisão favorável, o senador e ainda presidente do Senado comemorou: "É com humildade que o Senado Federal recebe e aplaude a patriótica decisão do Supremo Tribunal Federal. A confiança na Justiça brasileira e na separação dos poderes continua inabalada".

Votaram a favor de Renan Calheiros os ministros Celso de Mello, Teori Zavascki, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Luiz Fux e Carmen Lúcia.

Contra a permanência de Renan na presidência do Senado, votaram Rosa Weber, Edson Fachin e Marco Aurélio, relator da liminar.

A repercussão do caso se espalha nas redes sociais e escancara a descrença na Justiça, com a hashtag "#o Brasil é um même".