A delação premiada do ex-vice de Relações Institucionais da empreiteira #Odebrecht, Cláudio Melo Filho, caiu como uma verdadeira bomba-relógio no governo do peemedebista Michel #Temer, que ficou bastante ameaçado após a divulgação das acusações. Nesta quarta-feira, um outro desdobramento importante na equipe de governo ocorreu em decorrência da delação: José Yunes, assessor de Temer, pediu demissão.

Yunes exercia um cargo bastante próximo ao presidente Temer, com quem mantém uma relação de amizade há mais de 50 anos. Advogado de formação, ele era assessor especial da Presidência da República – cargo que abdicou nesta quarta por ter sido mencionado na delação de Melo Filho, um dos 77 executivos da construtora que assinaram delação com o Ministério Público Federal (MPF).

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De acordo com o ex-dirigente da empreiteira, o presidente Michel Temer, em um jantar no Palácio do Jaburu antes do início da campanha das eleições de 2014, teria solicitado R$ 10 milhões para a Odebrecht visando o fortalecimento do caixa do seu partido, o #PMDB. Desse montante, 4 milhões seriam destinados a Eliseu Padilha, atual chefe da Casa-Civil do governo Temer.

Só que, segundo o delator, a parte da quantia destinada ao ministro Padilha foi enviada ao endereço do escritório de advocacia de José Yunes, em São Paulo, o que permite a suposição de que o repasse foi em dinheiro vivo. O advogado chamou de “fantasiosas” as acusações e falou em “preservar a dignidade” ao optar por se afastar oficialmente do governo.

“Nestes últimos dias, senhor presidente, fui obrigado a ver o meu nome atirado em um lamaçal de uma abjeta delação, feita por um cidadão do qual eu não conheço e jamais mantive algum tipo de relacionamento”, diz um trecho da carta de Yunes, que garante ser inocente perante às acusações de Melo Filho.

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O pedido de afastamento de Yunes vem logo após a confirmação de Marcelo Odebrecht sobre as acusações feitas por Cláudio Melo Filho. Herdeiro e ex-presidente do grupo, Marcelo confirmou às investigações da Operação Lava Jato que o repasse de 10 milhões de reais à cúpula do PMDB foi verdadeiro. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Marcelo, que tem acordo de delação premiada, depôs nesta segunda-feira e continuou com as oitivas nos dias seguintes.

Também na segunda-feira, o presidente Temer enviou uma carta a Rodrigo Janot, procurador-geral da República, solicitando agilidade nas investigações do caso e a divulgação na íntegra do conteúdo das delações após serem validadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após o término dos depoimentos, o ministro do STF, Teori Zavascki, decidirá pela homologação ou não dos acordos.

Michel Temer, Eliseu Padilha, José Yunes e Paulo Skaf (candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014, acusado por Melo Filho de receber os 6 milhões do total de 10) negam veemente as acusações presentes na delação premiada do ex-executivo da Odebrecht.

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Em nota ainda na sexta-feira passada, o presidente da República garantiu que todas as doações da Odebrecht foram “por transferências bancárias e registradas ao TSE”.