A Prefeita de Ribeirão Preto (SP) Dárcy Vera foi presa nesta sexta-feira (2), às 6 da manhã, em sua residência no Bairro Ribeirânia na sequência da 2ª Fase da Operação Savandija, denominada "#Operação Mamãe Noel". A operação está sendo coordenada pela #Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo.

O Início das Investigações

Uma denúncia anônimo ao Ministério Público de São Paulo, em 28 de abril de 2015, foi o estopim para o início das investigações.

O autor enviou e-mail ao #MP solicitando que investigassem um suspeito, vizinho seu, no bairro Jardim Zara, pois o mesmo "anda em carrão de luxo, tem empresa de fachada".

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Outras afirmações eram que o vizinho dizia "que vai ficar rico logo" e sugere a conhecidos "a abrir empresas de fachada" para ganhar mais dinheiro.

O denunciante afirmava "tenho medo de morrer e não posso aparecer" e terminava seu e-mail fazendo uma solicitação ao MP: "Vocês vão achar as pessoas que está levando nosso dinheiro".

O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, em conjunto com a Polícia Federal (PF), iniciou as investigações. Foram levantadas provas que resultaram na Operação Sevandija.

Operação Sevandija

A primeira fase da operação iniciou em 1º de setembro de 2016 para investigar irregularidades nas licitações da prefeitura envolvendo várias empresas de fachada. Foi constatado o envolvimento de várias empresas registradas, todas em um mesmo endereço, e empresas de membros de uma mesma família.

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Nesta fase foram apuradas irregularidades nas licitações no Departamento de Água e Esgoto (DAERP), na Companhia de Desenvolvimento Econômico (CODERP) e na Secretária da Educação. O total desviado foi de 203 milhões de reais.

Foram indiciados 31 denunciados entre secretários da prefeitura, vereadores, empresários e advogados. Nesta fase da investigação foi apurado, também, o pagamento de propina a funcionários da prefeitura referente a um processo de reposição salarial.

Operação Mamãe Noel

O esquema de desvio no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais foi descoberto como consequência das interceptações telefônicas e análise de documentos que ocorreram na primeira fase da operação. Estas investigações chegaram ao pagamento de propina para a liberação de honorários advocatícios em uma ação movida pelo Sindicato contra a Prefeitura para a reposição de perda salarial devido ao Plano Collor (16 de março de 1990).

A suspeita inicial apontava que Maria Zuely Alves Librandi, ex-advogada do sindicato e que representava o caso, pagava propina a servidores da prefeitura para receber os valores do acordo judicial.

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Porém, documentos apreendidos no escritório de Sandro Rovani da Silveira Neto, também advogado do sindicato, indicam que houve acordo entre as partes para dividir os honorários da advogada muito antes de ser pronunciada a sentença da ação contra a prefeitura.

A terceira parte envolvida seria Marco Antônio dos Santos, ex-secretário da CODERP. Ele exigia que os funcionários da Secretaria da Fazenda priorizassem o pagamento dos honorários de Maria Zuely, apesar da crise financeira da Prefeitura. A prefeita Dárcy Vera é suspeita de fazer parte deste acordo de divisão dos honorários. O total dividido entre os envolvidos no esquema chegaria a R$ 69,9 milhões.