Autoridades do Brasil estão se preparando para mais uma onda de protestos no país depois que o Senado aprovou a proposta da PEC 55 de corte de gastos do governo do presidente Michel Temer. O congelamento de gastos foi anunciado como a peça central de reformas de austeridade que visam controlar um déficit orçamentário e revitalizar economia estagnada do Brasil.

A Câmara alta votou com um placar de 53 a 16 favoráveis à aprovação da lei, embora os opositores de esquerda tentarem atrasar a votação. A medida limita o crescimento dos gastos do governo federal para a taxa de inflação em duas décadas. A proposta já havia passado pela primeira rodada de votação no final de novembro.

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Após a votação, um número estimado de 2.000 pessoas protestaram contra os cortes na capital de Brasília. Um ônibus foi queimado durante os protestos e a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Em São Paulo, manifestantes de esquerda marcharam para a sede da FIESP, principal associação industrial do país, antes de serem dispersos pelas forças de segurança do país.

Sindicatos e grupos de esquerda que se opõem ferozmente aos cortes, dizem que a proposta de austeridade do governo, irá afetar os serviços de educação e saúde, prejudicando ainda mais as pessoas pobres do país.

Uma pesquisa do Datafolha publicada pelo jornal Folha de São Paulo, na última terça-feira (13), mostrou que 60% dos brasileiros são contra o limite de cortes de gastos do governo.

Na semana passada, a relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Philip Alston, criticou fortemente o limite de gastos de 20 anos e definiu a medida como um "erro histórico".

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“As medidas de austeridade colocam toda uma geração em risco de normas de proteção social bem abaixo daqueles que se encontram atualmente em vigor", disse Alston.

A equipe econômica de Temer diz que o limite de gastos é necessário para colocar as contas do governo em ordem, recuperando a confiança dos empresários na maior economia da América Latina.

O antigo vice-presidente chegou ao poder em agosto, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele disse que iria se concentrar em acabar com os problemas políticos e econômicos que condenaram o governo de Rousseff. Temer está, entretanto, lutando contra alegações de que ele foi cúmplice no mesmo escândalo de corrupção que contribuiu para a queda de Rousseff.

A última pesquisa do Datafolha mostrou que 63% dos brasileiros entrevistados querem que Temer renuncie e que novas eleições fossem antecipadas no país. Apenas 10% dos entrevistados disseram acreditar que seu governo estava fazendo um bom trabalho.

O governo de Temer já enviou ao Congresso uma proposta igualmente impopular para reformar o sistema de pensões do Brasil, alguns economistas dizem que o limite de gastos por si só não vai restaurar o equilíbrio fiscal do país. #Política #PEC 55 #Crise no Brasil