Se alguém que me contasse, em 2005, quando o escândalo do Mensalão estourou na imprensa, que a #Justiça teria um papel importantíssimo para o futuro do Brasil, um país que tem a injustiça como marca constante em sua história, eu chamaria essa pessoa de sonhadora. O Mensalão levou nomes da alta cúpula do Partido dos Trabalhadores ao tribunal. José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares figuram entre os principais nomes do esquema de compra de votos dos representantes do Poder Legislativo, que não envolvem apenas o PT, mas diversas outras siglas como PTB e PR.

Em 2013, milhões de pessoas foram as ruas de todo o país após algumas dezenas terem sido agredidas pela polícia em um protesto contra o aumento da passagem de ônibus.

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Não era apenas por 20 centavos, uma nação dizia "basta": para aumentos nas tarifas do transporte "público"; para um sistema de Saúde falido em que cidadãos morrem nas filas; para a falta de segurança, onde as pessoas têm medo dos bandidos e da polícia; para uma educação defasada; e basta para os políticos que se acham acima do bem e do mal e desviam verbas dos cofres públicos, enriquecem ilicitamente e se vendem em tramoias e corrupção. Um movimento civil tão impactante que não se via nesta nação desde os caras-pintadas em 1992. Foi em 2013, que o Brasil voltou a ter esperança e os brasileiros voltaram a se enxergar como agentes políticos.

A Operação #Lava Jato foi deflagrada em março de 2014 pela Polícia Federal e, desde então, envolveu políticos de altíssimo calibre da maioria dos partidos.

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Se o nome do ex-presidente Lula figura hoje nas páginas polícias como chefe da operação criminosa - apesar das controversas sobre não haver provas suficientes para prendê-lo - isso mostra que todos são passíveis de investigações e todos devem pagar por seus crimes, desde que comprovados. A operação que investiga a Petrobrás e executivos das principais empreiteiras do país, envolve políticos do PT, PMDB, PP e PSDB. Esquerda e direita envolvidos em um mesmo esquema de corrupção.

Os protagonistas

São tantas notícias ruins bombardeadas pela mídia quase que diariamente, que a esperança do povo brasileiro nas instituições públicas nunca esteve tão baixa. Talvez por isso, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teve, sim, o apoio da maioria dos brasileiros, inclusive dos seus eleitores. Talvez por isso o povo comemorou tanto a queda de Eduardo Cunha. E ainda por isso não confiamos em Michel Temer, não confiamos em Renan Calheiros, não confiamos em Rodrigo Maia, e, meu caro leitor, também não confiamos em Aécio Neves, ou no Alckmin, melhor nem listar todo mundo, não caberia na página...

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Passamos a enaltecer a personalidade de quem representa à Lava Jato, o juiz federal Sérgio Moro, representante da Justiça brasileira, em que nunca confiamos tanto como agora. Percebemos que ela não é para os menos favorecidos apenas, ela é para todos. "Ah, mas porque o PSDB não está nos noticiários?" Verdade, também tenho de colocar o nome do ministro José Serra, acusado pela Odebrecht de receber propina.

Não à toa, na madrugada da última quarta-feira, 30 de novembro de 2016, enquanto o Brasil dormia para esquecer a tragédia com a delegação da Chapecoense, na Colômbia, os senhores deputados aprovaram as 10 medidas que deveriam ser contra a corrupção, e somaram a elas a "lei da intimidação", como muito bem declarou o procurador do Ministério Público, Deltan Dallagnol. Querem calar a Lava Jato. Querem nos enganar e voltarem ao país perfeito, em que eles possam voltar a praticar crimes e saírem impunes, ao aprovarem o Abuso de Autoridade por 313 votos a 132. Talvez seja essa a proporção entre os desonestos e os honestos na Câmara Legislativa.

Os internautas estão se mobilizaram para que, neste domingo - sem atrapalhar o trânsito, o trabalho ou a educação de ninguém - houvesse novas manifestações pelo país, em defesa da Lava Jato, da democracia, da Justiça e contra a corrupção. Vem pra rua! #Política