O presidente do Senado #Renan Calheiros (PMDB-AL) tinha pressa. O pacote anticorrupção, deturpado e aprovado pela Câmara dos Deputados na madrugada de quarta-feira (30), foi enviado imediatamente para votação no Senado. Não sem motivo, Renan tentou aprovar um requerimento de urgência para a votação.

Ao contrário dos deputados, que trabalharam em seu próprio benefício na calada da noite,enquanto o mundo se comovia com a tragédia da queda do avião da Chapecoense, os senadores realizaram a tumultuada sessão à luz do dia, durante a quarta-feira.

Diante da grande repercussão junto à população, devido ao corte de medidas que deveriam ter sido aprovadas para inibir a corrupção que assola o país, e da forte reação do Ministério Público, 44 senadores recuaram e votaram contra a urgência.

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14 senadores votaram a favor, são eles: Fernando Collor (PTC-AL), Benedito de Lira (PP-AL), Humberto Costa (PT-PE), João Alberto Souza (PMDB-MA), Ciro Nogueira (PP-PI), Lindbergh Farias (PT-RJ), Vicentinho Alves (PR-TO), Zezé Perrella (PDT-MG), Hélio José (PMDB-DF), Roberto Requião (PMDB-PR), Ivo Cassol (PP-RO), Valdir Raupp (PMDB-RO), Fernando Coelho (PSB-PE) e Pastor Valadares (PDT-RO). A única abstenção foi da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).

Os motivos de Renan Calheiros

Nesta quinta-feira (1), o Supremo Tribunal Federal (STF) decide se o presidente do Senado será réu em uma ação penal.

O escândalo veio à tona em 2007, quando foi divulgada a notícia de que um lobista ligado à construtora Mendes Junior pagava a pensão de uma filha de Renan com a jornalista Mônica Veloso. Para escapar da acusação, o senador apresentou declarações falsas sobre sua renda e chegou a renunciar ao cargo para evitar a cassação.

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Além da acusação de apresentação de documentos falsos, Renan é acusado de falsidade ideológica.

Mas esta não é a única investigação em que o senador está envolvido. Ele é alvo de nada menos do que 12 inquéritos.

A reação da força-tarefa da #Lava Jato

O chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, procurador Deltan Dalagnol, que esteve à frente das investigações que levaram ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, declarou que as propostas anticorrupção do governo petista eram "muito melhores do que as que foram aprovadas".

"Rasgou-se o texto das 10 medidas", reiterou Dalagnol, e ameaçou: caso seja sancionado o pacote pelo presidente Michel Temer, poderá haver renúncia coletiva dos integrantes da Lava Jato.

Acusado por seus pares de abuso de autoridade pela questão da urgência na votação, Renan Calheiros foi, felizmente, derrotado.

Agora, o que restou das medidas anticorrupção segue para a Comissão de Constituição e Justiça, de acordo com os trâmites usuais. #Senado Federal